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20/07/2007 12:41
Moacir
Arte popular entre o sagrado e o profano

por Daniella Borges e Kelly Catarina Triacca , da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Na Vila de São Jorge, há 47 anos, quando o garimpo de cristal estava em alta, nascia Moacir, um intrigante pintor e desenhista, atualmente reconhecido como a real manifestação da expressão cultural desse simples e aconchegante povoado. Filho de garimpeiro, Moacir permaneceu sempre nas mesmas paragens áridas do cerrado que o formou.

Para se comunicar e expressar seu mundo interior, Moacir começou a desenvolver seu talento artístico aos oito anos de idade desenhando nas pedras dos garimpos. Autodidata, em seus primeiros desenhos usava pedaços de carvão para pintar nas paredes e nos papéis que encontrava pela frente. "O Moacir é inteligente. Eu acho que ele tem um guia. Ele vê muita coisa no espaço, coisas diferentes", afirma Domingos Soares de Farias, 77 anos, pai do artista e morador mais antigo da Vila.

Marcelo Scaranari

Moacir: obra construída entre o sagrado e o profano

Socialmente, Moacir é considerado um indivíduo introspectivo e peculiar. "Onde tinha gente ele não ia de jeito nenhum. Desde pequenininho, se chegasse uma pessoa e parasse na porta, ele se escondia" conta Seu Domingos. Segundo ele, quando uma pessoa pedia para ser desenhada, Moacir se cobria com uma coberta, olhava por um furo e, em seguida, tampava e a desenhava com perfeição.

Expressão da cultura tradicional e popular do povoado, a obra de Moacir apresenta traços marcantes e cores fortes de uma linguagem visual repleta de simbolismos, personagens do imaginário popular e do rico universo do artista. Em suas pinturas, estão presentes elementos religiosos, figuras de animais e da vegetação nativa do cerrado, demônios, seres humanos deformados, animais bizarros, erotismo e nudez. Além dos quadros, tais figuras são pintadas em tábuas, em pedras, nas paredes de sua casa e nos postes das ruas da Vila de São Jorge. Atualmente, suas pinturas são feitas com giz de cera, lápis de cor, tinta de tecido e a óleo.

Marcelo Scaranari

Moacir em seu ateliê. Ao fundo, recortes de jornais e os quadros que dão a identidade visual do Encontro de Culturas

A arte de Moacir tornou-se a identidade visual do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, presente na decoração, no material gráfico e de divulgação do evento desde a sua primeira edição. "Para quem tem sensibilidade, o Moacir é um grande artista. Ele é excepcional nessa arte", afirma Juliano George Basso, coordenador geral e curador do evento.

Apesar de ter um considerável acervo, Moacir nunca teve sua obra exposta em uma montagem à altura, por manter-se afastado dos grandes centros urbanos e do cenário artístico contemporâneo. Segundo Seu Domingos, a arte de Moacir ganhou visibilidade por meio dos turistas que visitam a região para apreciar as belezas naturais da Chapada dos Veadeiros e passam a conhecer e admirar o seu trabalho. "Começou por nada. O turista gostou, ai ele foi caprichando", afirma o pai do artista.

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