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25/07/2007 14:52
Abertura da Aldeia Multi-Étnica
Depois de mais de 500 anos, quem são eles?

por Luciana Castro, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Para possibilitar que etnias diferentes possam trocar experiências, demonstrando suas tradições, rituais, cantos e cultura, o VII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros propôs unir várias tribos indígenas em uma só Aldeia. Para isso, foi construída uma Aldeia Multi-Étnica na Pousada Aldeia da Lua, próxima a São Jorge, onde etnias indígenas de vários regiões do Brasil estão reunidas.

Em uma cerimônia única, a festa de abertura uniu as etnias e seus representantes no centro da aldeia para, um a um, demonstrarem seus rituais e costumes. Kamayurá, Xavante, Karajá, Xerente, Krahô e Kayapó deram um exemplo de união e respeito. Esperando para poderem se apresentar, observavam seus irmãos (como gostam de ser chamados por acreditarem que, independentes das diferenças de raças, cor ou etnia, são todos iguais) admirados e curiosos, que mostravam a beleza e tradição dos primeiros habitantes de nosso país.

Marcelo Scaranari

Líderes de várias etnias reunidos na cerimônia de abertura da Aldeia Multi-Étnica

O último a se apresentar foi Raimundo Tukano, o "médico físico e espiritual" de sua aldeia, único representante dos Desana, etnia da Região do Rio Negro (AM). Raimundo foi ao centro e abençoou a todos. "Pedi proteção individual para todos os presentes, que essa união possa trazer alegria e paz para todos nós", concluiu.

Durante uma semana, oito etnias se juntam para se conhecer melhor, trocando experiências e conhecimentos. O público que visitar a Aldeia Multi-Étnica terá a oportunidade de conviver e conhecer essas etnias no seu dia-a-dia, exatamente como são em suas aldeias.

Além da vivência com os índios, os participantes também poderão aprender nas oficinas de Capim Dourado, Tear Chileno, Aproveitamento de Lixo Industrial e Aproveitamento da Biodiversidade para Produção de Artesanato Regional - Biojóias, e ver a exposição fotográfica da FUNAI.

Nova Realidade

Uma das grandes preocupações das etnias presentes na aldeia Multi-Étnica é a de se descobrirem. É perceptível a "curiosidade" de uma etnia com a outra. "Nunca havia saído da minha aldeia, então surgiu essa oportunidade. Eu quis vir e estou muito feliz porque nem sabia que existiam tantos outros", revela Omilda Xerente, dos índios Xerente do estado do Tocantins.

Marcelo Scaranari

A Aldeia possibilitou etnias que nunca haviam se encontrado pudessem trocar experiências

A generalização de etnias na palavra "índios" não é costume só dos brancos. "Por nos tratarem todos como índios, aqui será possível ver a diferenças, que não só o branco generaliza, mas nós também. Percebemos que a língua, os rituais, as danças são diferentes. Estamos nos redescobrindo, como foi feito pelos portugueses há mais de 500 anos", declara o cacique Mokuká Kaiapó.

Paixão x Escolha

A Aldeia Multi-Étnica reúne, além das etnias, histórias de vida parecidas de pessoas que, ao entrarem em contato com o universo indígena, acabaram se apaixonando e escolheram seguir rumos diferentes em suas vidas.

Ulisses Gozzo, publicitário que, há dez anos atrás desenvolveu um trabalho com os índios Krahô, é hoje o mediador da etnia com a sociedade externa. Ulisses se mudou para a aldeia e hoje é o representante da ONG União das Aldeias Krahô Kapey. A Kapey organiza e mantém projetos de Escolas Ambientais e Rádios Comunitárias nas aldeias.

Marcelo Scaranari

Celebração e união: índios de todas as etnias mostraram e aprenderam rituais e costumes de seus "irmãos"

Outra história de amor pela cultura indígena é da baiana Sônia de Paula, que em 1971 foi trabalhar como professora pela FUNAI e, desde então, nunca mais deixou o contato com os povos indígenas. "Estou há 36 anos na FUNAI e poderia me aposentar se quisesse, mas independente da insistência da minha família para que eu faça isso, se depender de mim, eu vou estar velhinha, de bengala na mão, mas estarei lá no meio deles, porque eu amo esse povo", afirma.

Mas há casos como o de Ivanesse Pires Tanonê, da etnia Kariri Xocô, no nordeste brasileiro, que mora há 14 anos em Brasília (DF). Ela foi à capital para tratamento médico e, devido a complicações, acabou ficando. Ivanisse revela que, mesmo distante, faz questão de manter seus costumes. É na sua casa, em formato de oca, que ela faz artesanatos para vender e à noite, como nos rituais de sua aldeia, ela canta e dança antes de dormir. Para reforçar seu contato com a terra mãe, todos os anos ela retorna à sua aldeia por três meses. "Dizem que quem descobriu o Brasil foi Pedro Álvares Cabral, mas o que eu sei é que, quando eles chegaram aqui, nós já estávamos. Sendo assim, descobrimos primeiro e temos que manter a nossa cultura" declara.

Cores, cantos e sorrisos tímidos de quem têm tanto a mostrar e curiosidade de aprender. Ao final da cerimônia, era fácil andar pela Aldeia e encontrar pessoas emocionadas ao ver todas as etnias, de mãos dadas, cantando e dançando em uma grande comemoração da igualdade e da paz.

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