21/07/2008 21:14
Mamulengos
Teatro e cinema abrem a programação do Espaço Petrobras

por Alisson Alves , da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

O Espaço Petrobras, um dos pontos de atividades do VIII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, inaugurou hoje (19), sua programação com o show de mamulengos do bonequeiro Chico Simões. Chico é membro do Ponto de Cultura Invenção Brasileira, de Brasília (DF), e há 25 anos roda o país mostrando sua arte. "Quando era criança, fui expulso da escola por que não agüentava aquela mesmice. Foi então que encontrei um mamulengueiro e pedi a ele que me ensinasse aquela arte. Aí não teve volta, nunca mais fiz outra coisa", conta.

Cerca de 80 "crianças" das mais variadas idades acompanharam a encenação  "O romance do vaqueiro Benedito com Margarida, a maravilhosa filha do malvado capitão João Redondo, o vaqueiro que sai do sertão e sua companheira", nesta segunda participação de Chico Simões no Espaço Petrobras. 

O trabalho tem sete dos vinte personagens que o mamulengueiro possui, e narra o cotidiano de uma família nordestina formada por Margarida, Benedito, Misericórdia da Paixão, Boi Estrela, João Redondo, o Passarinho e a Cobra. De um jeito lúdico, são detalhadas características do povo brasileiro como a valentia do nordestino, a religiosidade, a tradição de respeito aos mais velhos e histórias do folclore nacional, tudo com uma pitada de piadas regionais.

A identificação do público é imediata, o que faz com que as crianças sejam parte do espetáculo, interagindo com a história. Mateus de Oliveira, 12 anos, discute com os amigos se o boneco tem vida própria, enquanto Sr. Antônio não consegue desgrudar os olhos dos personagens. "Não é de verdade não. É ele que mexe o boneco, não é Seu Antonio?" Ele responde: "Espera aí, menino, não atrapalha não".

A esposa de Chico Simões, Jane Monteiro, que acompanha o marido em suas apresentações país afora, diz que mesmo com enredo formal, cada apresentação tem um formato por causa do público. "Pode ver que as crianças gritam o tempo todo, participando, fazendo piada. Como em cada uma as crianças reagem de um jeito, o espetáculo está em constante mutação. Eu, que já assisti umas mil vezes, ainda acho graça do começo ao fim", diz. 

O objetivo da atividade é potencializar as possibilidades de auto-expressão e comunicação através da linguagem teatral, criando relações entre a cultura popular brasileir por meio do teatro de mamulengo, arte tradicional de Pernambuco.

Chico já fez cerca de 2000 apresentações, incluindo toda a América Latina e países da Europa, como Portugal, Itália e Alemanha.

Aula de história 
A programação foi encerrada com uma mostra do filme Raízes do Brasil, de Nélson Pereira dos Santos. O curta traz a biografia de um dos intelectuais mais respeitados do país, Sérgio Buarque de Holanda, morto em 1982. Sérgio participou do movimento Modernista de 1922, foi catedrático da USP e escreveu o livro que dá título ao filme, considerado referência no estudo das origens culturais do povo brasileiro.

O filme conta a história do cotidiano de Sérgio de Holanda, com depoimentos dos familiares e amigos. Dona Maria Amélia, viúva de Sérgio, descreve como o marido lidou com o nazismo, os anos de chumbo da era Vargas e a ascensão do Movimento Modernista. "A maior qualidade de Sérgio era a disposição para o trabalho. Ele nunca foi de ficar na rua jogando bomba, protestando, levantando faixa", explica Dona Maria.

O filho Álvaro Buarque garante ser a perspicácia a principal característica do pai."Um dia perguntei a ele o que significava uma palavra e ele me disse que estava no dicionário, na página tal, antes da palavra tal. O pior é que às vezes estava certo", brinca Álvaro. 

O amigo Paulo Vanzolini diz que Sérgio sempre fez questão de deixar claro que sua obra só existia por causa da esposa. "Eu sempre lhe dizia que a maior prova da inteligência de Sérgio foi ter se casado com Maria Amélia", concluiu.

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