22/07/2008 11:50
Aldeia
Oficina de rádio e prosa na Aldeia

por Mariana Caldeira, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Marcelo Scaranari

A oficina de rádio produzida pelos DJs Rudolf Magalhães e Eugênio Coutinho deu início ao quadro de atividades da II Aldeia Multi-étnica, do VIII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. As lideranças das etnias se reúnem todas as manhãs para discutir questões importantes e falam suas idéias na rádio, batizada com o nome Iandé Radiola dos Povos.
 
Rudolf explica que a expansão do software livre está abrindo mais espaço para as rádios comunitárias. "Diversos pontos de expressão, antes isolados, agora tornaram mais democrático o ambiente global. Com os grandes veículos é muito difícil contar, através da mídia independente temos a oportunidade de reaprender nossos velhos costumes e convergir cultura no mundo inteiro", explica.
 
Os trabalhos foram divididos em duas etapas, uma de captação e outra de transmissão. Serão feitas entrevistas com os integrantes das etnias e gravações de cantos, que estão acontecendo em todos os lugares na Aldeia.
 
Getúlio Orlando Pinto Krahô, um dos pajés da sua comunidade, falou um pouco da experiência que teve. "Já tivemos uma rádio instalada na aldeia, foi a oportunidade do nosso povo ouvir o que estava acontecendo na Terra. Por isso meu corpo está cheio de orgulho. Mas fico triste porque o homem branco está destruindo a natureza ao invés de plantar e cuidar", conta.
 
Por falta de capacitação, a rádio está parada. Bruno Garajau, historiador e colaborador do projeto, disse que eles estão tentando conseguir fundos para por a rádio novamente no ar. "Os meninos mais novos aprenderam a mexer nos equipamentos, mas como não tinham habilidade com as máquinas, estragaram um tanto também", conta.
 
FAZENDO MEMÓRIA                               
 
O que não falta é história para ir ao ar na aldeia. Raimundo Verusso Vaz veio do Alto do Rio Negro, município de Manaus. Pajé curandeiro, de etnia Dessana, é chamado de Kísibi Kumun (kísibi=ser humano, kumun=curandeiro tradicional). "Sou enfermeiro profissional como os brancos, todos os remédios que os brancos têm, os índios têm", conta. Ele diz que sua farmácia está uma parte na cabeça e outra na aldeia.
 
Kísibi explicou que todas as rezas tradicionais têm o lado positivo e negativo. Muitos pajés se utilizam do lado negativo, pensam no bem deles e no dinheiro. "A união é o melhor remédio, as pessoas ficam mais fortes. Não precisa ter divisão de nada no mundo, todos nós juntos somos um só. Não precisava ter maldade, mas se tem, eu quero aprender a curar".
 
Boreka, Deus na língua dos Dessana, é representado pelo sol.  Para eles, o sol foi quem formou o mundo indígena e transformou a humanidade. Kísibi chamou a atenção dos turistas com suas histórias e vai fazer consultas na Aldeia essa semana. O pajé conhece todos os chás e ervas para curar doenças e já está preparando as garrafadas na mata nativa do Cerrado, no Vale da Lua. Ele diz que se for preciso, vai fazer o ritual da pajelança, onde evoca os deuses da floresta e dos ancestrais para ajudar no processo de cura.
 
A abertura da Aldeia Multi-étnica foi oficializada com o encontro de todas as etnias no pátio, numa diversidade de sons e cores, cada grupo com um jeito de se manifestar. Um povo que há mais de 500 anos está fazendo memória de seus constumes e nunca deixou de existir.

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