22/07/2008 15:30
Canto Guarani
Os cantos dos Guaranis Mbyá

por Janaina Gomes , da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Marcelo Scaranari

É difícil conceber que um grande centro urbano ainda abrigue comunidades indígenas, ainda mais se tratando da metrópole São Paulo. Na capital, mas especificamente na comunidade de Tenondé Porã, vivem 125 famílias Guaranis Mbyá com cerca de 1.200 indivíduos entre jovens, adultos e crianças.  Participam da II Aldeia Indígena Multi-étnica 18 deles, que vieram especialmente para mostrar sua música.

 

Pedrinho Vera Popygua, 25 anos, é pedagogo formado pela Universidade de São Paulo (USP) e há cinco anos cuida da educação de 180 jovens de sua etnia. Começou a ministrar recentemente aulas de Guarani para não-índios e já tem 4 alunos matriculados. Veio ao Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros para acompanhar e coordenar a participação de seu grupo, a maioria deles jovens com idade entre 8 e 19 anos. 

 Popygua explica que praticamente todas as cantigas Guaranis, assim como em outras etnias, falam da natureza, agradecem Nhanderu (Deus), a vida e tudo que ela oferece. "Cantamos e fazemos festa em vários momentos, até na Opy (casa de reza)... Viemos para mostrar um pouco disso", explica.

As cerimônias que acontecem no período da tarde chamam-se Txan Xondaru e as noites são dedicadas para fumar o Petyguá, tradicional cachimbo Guarani. "Ele existe desde que surgiu o nosso povo, serve para espantar os espíritos do mal e curar as crianças", fala Popygua, revelando que não é o Pajé que cura, ele é apenas um instrumento de cura de Nhanderu.

Diferentemente de algumas outras etnias que participam da Aldeia Indígena Multiétnica, os Guaranis se apresentam divididos em duas filas retas - uma masculina e outra feminina -- vestidos de tecidos pintados. Os instrumentistas ficam no meio e seguram o ritmo com um violão (Mbaraka), uma rabeca (Raré) e um tambor chamado de Angu'apu. As passadas são miúdas e os gestos também mais "contidos" que as demais.

Popygua conta que seu povo já gravou 2 CDs. O primeiro reúne músicas do grupo Tenondé Porá e o segundo de várias aldeias Guaranis do Rio de Janeiro, São Paulo, entre outras regiões. "Sempre que nos convidam fazemos shows, as pessoas gostam da nossa música".

Carioca de nascença, mas vivendo há 25 anos nos Estados Unidos, a turista Guiomar Scheid visita pela primeira vez a Chapada dos Veadeiros e vê encantada a apresentação dos Guaranis. Ela diz que escolheu São Jorge por acaso, simplesmente para fugir da violência de sua cidade natal. "Foi uma boa coincidência chegar aqui e deparar com a força da nossa cultura. Vivi em uma ilha por muitos anos, minha mãe era curandeira; é um contato que faço com a minha origem".

Ao final de cada música, os jovens artistas Guaranis pronunciam Ha'euete não para agradecer ao público, mas a Nhanderu pela apresentação. Concluindo este momento na programação da II Aldeia Indígena Multi-étnica, fazem um canto de saída, usado em todos os finais de show, que diz resumidamente, em tradução livre: "Nós estamos indo, fiquem com Deus, que a gente vai com Deus também".

Mas logo o educador Popygua se apressa para escrever em sua língua a mensagem: Ore ma rojeoi juma / Pepyta Porá Nhanderua reve / Ore voi rojeoi juma /Nhanderu reve Os Guaranis participam do Encontro de Culturas até o final da semana e devem se apresentar outras várias vezes no evento.

Para adquirir o CD com músicas Guaranis: (11) 5978-4800/ 5977-3686 - popygua@hotmail.com 

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Crônica
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