23/07/2008 15:39
Lideranças indígenas discutem a pressão de governos, empresários e fazendeiros sobre suas terras
Territórios de disputa

por Janaina Gomes, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Marcelo Scaranari

Representantes das etnias Krahô, Kayapó, Fulni-ô, Guarani, Wapichana, Kamaiurá, Apinajé e Ingarikó, participaram da Roda de Prosa "Terras Indígenas no Brasil", apontando os principais problemas que giram em torno da questão do direito a terra dos indigenas. O presidente do Conselho do Povo Indígena Ingarikó (COPING), Dilson Ingarikó Wanwose, da Reserva Indígena Raposa Serra do Sol (RR), abriu a discussão explicando quais os avanços que seu povo tem conquistado junto ao Governo Federal. "Os Ingarikós se juntaram com outros povos (Macuxi, Wapichana, Taurepang e Patamona) para promover o desenvolvimento sócio-econômico e cultural das comunidades. Estamos conseguindo concretizar a primeira experiência brasileira de gestão compartilhada de um Parque Nacional, neste caso, o Monte Roraima",afirma.

Apesar dos avanços, o território é alvo de disputas desde que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assinou decreto de homologação da área como propriedade dos Ingarikó. Produtores rurais, moradores e parte da população indígena reivindicam que a reserva seja dividida também para eles sob a alegação de que os moradores antigos da região tem direito a propriedade dentro da reserva. Nos últimos três anos, todas as ações contra a criação da reserva indígena foram vencidas pelo Governo Federal.

Os representantes das comunidades indígenas e participantes da Roda de Prosa assinaram uma moção de apoio à causa Ingarikó e se disponbilizaram a participar da luta considerada por eles "de todo povo indígena".  Veja a íntegra da moção.   

Especulação Imobiliária

A expansão imobiliária é outro problema que tem afetado as comunidades indígenas, especialmente as que habitam o Santuário dos Pajés, na Reserva Bananal em Brasília (DF). Os índigenas que moram no local serão retirados para a construção de um setor habitacional de luxo na capital, o Noroeste.

Towê Fulni-ô, representante na Roda das etnias que habitam o Santuário, afirma que a luta das etnias que moram no local não tem dado resultado e a população nem sabe que existe o problema. "São 9 meses de luta. Estamos sem liberdade para viver na nossa própria terra, nossa comunidade não consegue mais ser feliz'", falou emocionado. Durante a Roda de Prosa, as etnias que estavam presente se comprometeram em apoiar à causa do Santuário dos Pajés.

Etnias têm problemas semelhantes 

As comunidades que habitam o Parque Indígena do Xingu, no Mato Grosso, também sofrem com a retirada da população da terra para a construção de hidrelétricas. Segundo Pablo Kamaiurá, alguns índios se venderam sem ter conhecimento que estavam prejudicando as comunidades. "A base principal da nossa alimentação é o peixe, a construção seca os rios, prejudicando a sobrevivência das nossas gerações futuras", revela.


A preocupação dos índios Guarani não é muito diferente dos demais. Segundo Altaíde Guarani, representante da etnia na Roda de Prosa, existem 3 aldeias em São Paulo, mas a área é "minúscula". "Tudo é política, a burocracia exige conhecimento. Os jovens não estão se preocupando, não dá pra caçar na reserva e é difícil encontrar alimento", afirma Altaíde.

O indigenista Fernando Schiavini explicou que as comunidades indígenas sofrem o assédio sobre seus territórios desde 1.500, quando chegaram por aqui os primeiros europeus. "Se observarmos o mapa do Brasil, perceberemos que nas regiões Nordeste e Sul as terras indígenas quase não existem".  Ao concluir os trabalhos, falou às lideranças indígenas o papel da Fundação Nacional do Índio (FUNAI) e sua situação hoje. "A entidade passou por várias fases. Atualmente está fraca, pois está acabando a geração de indigenistas que lutavam realmente em defesa do índio. Muda o Governo e vem novas pessoas interessadas em defender os interesses do poder. Daí a importância dos próprios índios se organizarem, tomarem conta de suas terras e ficarem sempre atentos para defender seus direitos".

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