26/07/2008 17:53
O Brasil e suas línguas
O Brasil e suas línguas

por Janaina Gomes, da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Marcelo Scaranari

Quando os portugueses aportaram no Brasil imaginaram que estavam chegando a uma parte da Índia. A gafe geográfica fez com que denominassem os habitantes da terra recém descoberta de índios. Naquele  momento começava o processo de colonização que interferiu - e interfere até hoje -  na forma viver e de falar do povo brasileiro.

Para sobrevirem em terras brasileiras, os nossos colonizadores tiveram que aprender a conhecer um pouco sobre as coisas exclusivas da nossa fauna e flora. Os tradutores foram os índios, descrevendo o nome de plantas comestíveis e animais. Mandioca, cará, pipoca, urubu, tatu, tamanduá, sorocaba, tucano e arara são algumas palavras que foram incorporadas ao português por causa desse contato.

O professor Arion Rodrigues, da Universidade de Brasília (UnB), um dos maiores lingüistas do país e estudioso das línguas indígenas, está em São Jorge para participar do VIII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. Ele foi homenageado na programação da II Aldeia Indígena Multiétnica e proporcionou uma visão sobre as línguas existentes no país e de sua importância para a preservação da nossa identidade cultural. 

Segundo ele, os estudos apontam que existiam aqui 1.250 línguas e seus respectivos povos, hoje restam apenas 200. "Devido aos combates, extermínios, epidemias e à descaracterização, desapareceram 85% dos povos indígenas e conseqüentemente suas línguas e culturas", lembrou. 

As hipóteses dos especialistas indicam que são dois os troncos lingüísticos indígenas brasileiros: o Tupi Guarani com nove famílias e o Macrojé com 12, que dariam origem às faladas atualmente pelos 230 povos indígenas sobreviventes. Desta maneira, apesar de o português ser a língua oficial, o Brasil aparece como um dos sete países com maior quantidade de idiomas. Perde, porém, segundo o professor, para a pequena Nova Guiné que, mesmo de modestas proporções territoriais, tem cerca de 700 idiomas.

Os números podem não refletir a realidade uma vez que o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) incluirá em 2010, pela primeira vez, um levantamento lingüístico para mapear todas as línguas faladas atualmente no país. "Este censo é muito importante, pois as línguas são as principais formas de expressão da nossa cultura", destacou Rodrigues.

O professor Arion Rodrigues explicou também que somente agora a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) está se preocupando com a preservação das línguas como forma de garantir a diversidade cultural. O Brasil, segundo ele, por meio do Ministério da Cultura, aderiu ao compromisso e se responsabilizou pela sobrevivência das línguas minoritárias e de seus povos. "A globalização está afetando as relações sociais, culturais e econômicas em todo o mundo. Assim como a diversidade genética é essencial para a ciência, a cultural é determinante para o desenvolvimento dos povos".

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