29/07/2008 17:55
Percussão
Tambores d'África

por Wagner Alves , da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Marcelo Scaranari

Os tambores na tarde de terça feira (29) protagonizaram um encontro de troca e saberes na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. Sob a regência do percussionista Djalma Corrêa, várias pessoas entre turistas, músicos e curiosos se reuniram para ouvir, tocar e trocar experiências musicais com um dos maiores mestres da percussão brasileira.

Djalma iniciou a oficina dando oportunidade aos "alunos" de demonstrarem suas habilidades. Em seguida, começou o seu trabalho explicando o valor, o sentido da percussão e enfatizando a  diferença que existe entre tocar e bater tambor. "Se bater eu grito, se tocar eu canto".

O percussionista lembrou a sua experiência na busca de sons e sobre a expressão corporal. Segundo o musico, todo o ser humano tem, pois passou nove meses no ventre da mãe "ouvindo vários sons, o pulsar do coração, dos líquidos. Temos a possibilidade de efeitos sonoros ouvindo o próprio corpo", explicou.

Djalma Corrêa lembrou a oficina do etnomusicólogo congolês Kazadi  Wa Mukuna, que também participa do VIII Encontro de Culturas, onde a forma musical  africana não é escrita, mas cantada e falada. "Kazadi demonstrou que entre outras formas de culturas tradicionais, como a africana, o sentido da percussão tem que ser circular e não linear como uma partitura ocidental"

"É determinar células que se repetem, que complementam uma com as outras. Aí, você vê a complexidade de ritmos que vão se construindo. Temos que saber controlar a ansiedade em tocar, apreender a esperar. É de suma importância à dinâmica, mudança de timbre, segurar a ansiedade e o silêncio. Tendo um chão como base (o pulsar do tambor) que ira possibilitar a criação rítmica e, como numa brincadeira, todos vão se permitindo sentir esse pulsar que é a base e a comunicação acontecerá entre todos", explicou Djalma.

E o resultando não demorou.  Djalma Corrêa levou a todos a pulsar com elegância e descontração como se África fosse aqui, numa qualidade sonora rica em timbres onde todos puderam tocar e dançar em meio a um grande improviso.

"O principal objetivo da oficina é fazer esta fusão entre nossas raízes e os instrumentos de percussão. É manter, divulgar e explorar esta contemporaneidade sem perder o vínculo com nossas raízes, como os índios, quilombos e a Congada ", concluiu Djalma Correa.

José Akashi, geógrafo, morador de Goiânia,  era um dos participantes empolgados com a performance de Djalma. Lembrou que já participou de outras oficinas, mas não  conhecia o trabalho de Djalma. "Ele  é perfeito", resumiu.
A participante do Grupo de Pífanos Flautins Matuá, de Campinas (SP),

Roberta Rizzi, que veio a vila são Jorge se apresentar no Encontro de Culturas gostou muito da oficina promovida por Djalma Corrêa. "É um mestre", concluiu.

Quem é - Mineiro de Ouro Preto, nascido em 1942, mas sua formação musical ocorreu em Salvador. Djalma Novaes Correa começou em Belo Horizonte em um dos muitos grupos instrumentais de bossa nova. Ainda rapaz mudou-se para Salvador, atraído pela efervescência cultural da capital baiana onde estudou percussão e composição nos seminários da UFBa (Universidade Federal da Bahia), freqüentado por figuras que se tornariam seminais nas futuras mudanças da MPB.

Conviveu com o erudito suíço Walter Smetak, o alemão Hans Joachim Koellreuter (com quem trabalharia na Sinfônica da Bahia) e mais Caetano Veloso, Gilberto Gil, Tom Zé, Jorge Ben e Gal Costa. Participou do início do movimento que mais tarde ficaria conhecido como Tropicalismo.

Fez trilhas sonoras para cinema, teatro e em 1970 criou o grupo de música e dança Baiafro. Com esse grupo excursionou ao exterior e gravou o disco Salomão - The Dave Pike Set and grupo Baiafro in Bahia. Participou do espetáculo Os Doces Bárbaros com Caetano, Gil, Gal e Maria Bethânia com quem excursionaria à Itália. Viajou com Gil para o Festival de Artes Negras da Nigéria, gravou Refavela com o compositor.

Participou do Festival de Jazz de Montreux, na Suíça, lançou o LP "Djalma Correa", todo de percussão, gravado pela Philips, na série Música Popular Brasileira Contemporânea. Incansável pesquisador, criador original, o bruxo Djalma Correa expandiu os limites da percussão brasileira.

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