30/07/2008 11:58
Crônica
Dona Gracinha da Sanfona

por Sinvaline , da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Sinvaline

São Jorge nos dias do Encontro de Culturas recebe artistas de todo o Brasil. Dentre estes foi destaque na casa Cavaleiro de Jorge a apresentação de Dona Gracinha da sanfona.

Maria Vieira da Silva  conhecida por Gracinha nasceu em Floriano no Piauí. Como era muito doente, inclusive com problemas de visão, a mãe a entregou para uma tia que não tinha filhos pela qual foi criada.

Gracinha era uma menina diferente: nunca gostou de bonecas e nem de saias, e suas brincadeiras eram mais ousadas como brincar de cavalo de pau, lutas e outras que na época uma menina não podia fazer. Porém os ouvidos sempre foram voltados para música. Confeccionou um pandeiro com lata de goiabada e tampinhas de garrafas o que foi seu primeiro instrumento musical.

O marido de sua tia era um sanfoneiro, então Gracinha mesmo com a visão parcial podia ouvir o som da sanfona e assim aos  7 anos de idade já se apaixonara pelo instrumento. Perdia o sono imaginando como poderia aprender a tocar.

A tia notando a curiosidade da sobrinha deixou que ela pegasse o instrumento de 4 baixos para experimentar, desse dia em diante a sanfona foi sua parceira inseparável. Talento descoberto, Gracinha se tornou a sanfoneira oficial  da região, ia a cavalo para as festas e tocava forró a noite toda, daí já passou a ser chamada Gracinha da sanfona.

A carreira como sanfoneira já se estabelecera quando mudou para Brasília e com uma sanfona maior passou a fazer shows se tornando logo popular na capital federal.

Dona Gracinha hoje tem 65 anos de idade e ainda reside em Brasília. Faz shows em vários Estados e já é um nome bem conhecido  em todo o Brasil. Toca tango, valsa, seresta, pagode e outros. Porém o que mais gosta de tocar é o forró mesmo. Consegue lotar os salões de dança com seu jeito especial de tocar. Se sente orgulhosa de ter tocado com músicos conhecidos como Zeca Baleiro e outros.

O que mais impressiona é sua força de vontade, sua paixão pela música que mesmo com 65 anos de idade atravessa as noites tocando.

Perdeu uma das pernas num acidente  e ainda assim diz:

- Perdi a perna mas nem por isso vou me aborrecê, tenho as mãos e minha sanfona!

Dona Gracinha faz piadas de si mesma :

- Imagine, sou assim, mas tenho amigos de verdade, gostam de mim do jeito que sou!

Mostra as pernas e dá grandes gargalhadas e diz;

- Menina eu pra tocar sanfona desisto até de comê!

Os cabelos brancos esvoaçados, a voz firme, o cigarro no canto da boca e o tom sarcástico fazem de Dona Gracinha uma figura excêntrica e contagiante. Como bem retrata o amigo Alex (UNB):

- Ela tem a alma de sanfona!

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