01/08/2008 18:51
Entrevista
“Incelente Maravilha”

por Janaina Gomes , da Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge

Marcelo Scaranari

A cara de menino e o sorriso gravado no rosto escondem a idade de Pereira da Viola. São 46 anos de vida, vinte deles dedicados à sua grande paixão, que providencialmente ganhou status de sobrenome. Vindo da pequena São Julião, no Vale do Mucuri, localizada a 500 quilômetros de Belo Horizonte (MG), Pereira encanta todos por onde se apresenta. Em São Jorge, durante o VIII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, ele empolgou o público e fez todo mundo dançar

Seu último CD, Akpalo - O Guardião da Memória do Seu Povo, foi lançado no primeiro semestre de 2006. Agora, ele estuda a idéia de trabalhar um disco mais lúdico que consiga passar ao público o que acontece nos shows. Participando do Encontro de Culturas Tradicionais pela terceira vez, Pereira da Viola contou à Agência de Notícias Cavaleiro de Jorge um pouco da sua história. Uma "incelente maravilha", conhecida saudação do artista.  

De onde surgiu a paixão pela viola?

Foi uma maneira que encontrei de estar em contato com a minha própria identidade. Saí de casa muito cedo para estudar no Espírito Santo. Na década de 80 fui estudar em Serra dos Aimorés (MG), onde acabei me envolvendo com o movimento cultural. Foi lá também que entrei em contato com a música de Elomar, Rubinho do Vale, Dércio Marques, Doroty Marques, Paulinho Pedra Azul e vários outros artistas que me influenciaram. Logo depois senti uma necessidade de retornar à

minha base cultural que é minha própria família. Todo mundo em casa toca e canta.  

Existe alguma influência especial?

Voltei para casa com gravador na mão, anotando tudo, estudando as pessoas da comunidade, em especial minha mãe, a base para minha formação de vida pessoal e musical. A Mãe Augusta (87 anos) canta e dança batuque até hoje. Temos uma Folia de Reis que participo todos os anos.  

Como você define seu estilo?

Sou autodidata e isso é importante por que o artista acaba criando uma identidade própria. Mas o estudo é muito necessário, sou favorável à volta do ensino da música nas escolas. Vivêncio todos os ritmos: indianos, clássicos, eruditos, latinos e blues que é, para mim, a "folia norte-americana".

Você é um artista popular que tem sua origem ligada à cultura tradicional. Existe alguma dificuldade de traduzi-la para o palco?

Fazemos batuque, cantigas de roda, contradanças e tentamos trazer a alma destas manifestações. Algumas coisas são difíceis, mas eu sou um artista de palco. Ainda é necessário um bom estudo para levar a cultura tradicional ao palco e manter as características que têm. À medida que vão se apresentando, os próprios artistas adaptam suas artes. As produções também devem criar espaços favoráveis, com outra lógica, onde não haja a diferença tão grande entre o natural e o espetáculo.  

Como você vê o desinteresse da mídia com relação à cultura popular?

Não é a visibilidade da mídia que faz a cultura popular sobreviver. É sua própria força que a faz se manter viva de geração em geração. É igual à própria terra, podem até matá-la, mas ela vai sobreviver de outra maneira. Agora percebemos um novo olhar dos gestores públicos para a cultura popular.  

Você leva aos seus shows o lado lúdico da música, incluindo as brincadeiras de roda e o público adora. Fale um pouco desta idéia. 

É importante ter acesso à informação. Parte das coisas que levo para o palco vem de um movimento de pessoas ligadas à arte e que têm a brincadeira como forma de expressão, assim como Antonio Nóbrega, Adelsinho, Lydia Ortelio e outros espalhados pelo Brasil. Trago para o palco a brincadeira da vida. Brincar é uma coisa séria. O mundo está muito carrancudo e isso não está levando o ser humano a lugar nenhum. O futuro do homem está condenado com a forma de desenvolvimento que está sendo implementada. Temos que levar a vida com menos seriedade, mais leveza.  Não é fácil, mas é um exercício cotidiano, temos que ser moleques, no bom sentido.  

Como você avalia esta edição do Encontro de Culturas Tradicionais?

Houve um amadurecimento com relação aos anos anteriores. Há um cuidado com os mestres dos grupos de cultura e os artistas de se sentirem em casa. Volto muito feliz por ter sido muito bem recebido e abraçado por São Jorge mais uma vez. Dá para perceber que a vila inteira é integrada ao evento e a comunidade não está alheia. E isso é muito raro, geralmente os eventos recebem mais pessoas de fora e a comunidade acaba excluída, o que não acontece por aqui. Isso é muito importante.

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