Samba de Viola Raizes da Pitanga - 25/07/2010

Samba de Viola Raizes de Pitanga: 150 anos de história

O Samba de Viola enfeitou a noite de São Jorge no X Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros.

por Sinvaline Pinheiro

Foto: Anne Vilela

Samba de Viola Raízes da Pitanga no palco do Encontro

O Samba de Viola enfeitou a noite de São Jorge no X Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. O conjunto de 24 pessoas forma dois grupos distintos: 14 são do Samba de Viola, Reza das Folhas e Samba Corrido; 10 são da Capoeira de Santo Amaro; Puxada de Rede e Lindroamor. O violeiro José Moura é destaque pelas décadas que acompanha o grupo.

Bernadete Pacifico, a coordenadora geral fala com muito orgulho do trabalho desenvolvido em várias cidades divulgando nas escolas, festivais, encontros e assim conservam a tradição de aproximadamente 150 anos de história passada de geração em geração e mantendo a viva a cultura quilombola do Recôncavo Baiano.

Bernadete agradece sempre ao Mestre Matias dos Santos, o Mestre da Cultura, que segundo ela fez um trabalho único no sentido de resgatar várias manifestações culturais como o samba de viola, Bumba meu boi, Baile de Pastorinhas, Samba do Engenho, A Burrinha e a Loba, Terno de Reis, Samba de Caboclo, Candomble local (Ilê Axeajipocan) e outros.
 
Com orgulho ela conta:
 
- Recebi das mãos de Mestre Matias a missão para continuar esse trabalho, ele me entregou o cajado na sala do hospital quando sentiu que já ia  partir.
 
Dona Maria Cândida dos Santos, 82 anos, viuva do Mestre Matias é uma senhora simpática que abre a apresentação dançando e jogando folhas de São Gonçalo, distribuindo muita alegria.

Outra figura de destaque na comunidade é a de  dona Maria Alvina , 102 anos de idade conserva o presépio do Baile das Pastorinhas hoje coordenado pela filha Bernadete. Dona Maria Alvina não deixou de dançar e apesar da idade participa das rodas de samba amparada pelas colegas pastorinhas.

Na comunidade fazem a Festa de São Gonçalo, padroeiro dos quilombolas assim como Santo Antonio. São Gonçalo é o santo casamenteiro, embora seja conhecido também como padroeiro dos músicos, prostitutas e gestantes. Existe até a crença que a reza de São Gonçalo cura o vicio da embriaguez, pois ele foi alcoólatra e depois se tornou santo.

As festividades incluem as danças, comidas típicas e muitas apresentações culturais da região, sendo assim também um Encontro de Culturas.
 
Bernadete faz um apelo:
 
- Gostaria muito que o pessoal do Ministério da cultura conhecesse nosso trabalho e nos ajude a manter a tradição.
 
Atualmente eles contam com a ASSEBA (Associação de Sambadores e Sambadeiras do Estado da Bahia e com  o Prefeito de Simões Filho que é um grande apoiador da comunidade, segundo Bernadete.
 
Durante a apresentação no palco de São Jorge o Samba de Viola agitou uma multidão embalada pela viola centenária e o gingado das sambistas.  Dona Maria Cândida elegante aos 82 anos de idade, incansável  sambou distribuindo folhas de São Gonçalo e simpatia. Bernadete recebeu com surpresa o parceiro Mestre Sabu da Capoeira. Exótico com  terno e chapéu vermelho se juntou ao grupo e o samba rolou na noite de São Jorge.
 
Afinal samba não tem idade e nem fronteiras.

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