Campo e Campi - 03/08/2011

Sabedoria popular e Academia

Na manhã do dia 30 de julho, o Espaço Seu Domingos recebeu uma roda de prosa para discutir a implementação da sabedoria popular dentro das Universidades

por Caio Sena

Foto: Anne Vilela

O último dia do XI Encontro de Culturas começou com uma boa roda de prosa no Espaço Seu Domingos. Um dos objetivos da conversa foi discutir como os mestres tradicionais e sua sabedoria popular poderiam ser absorvidos pelo meio acadêmico, proporcionando assim uma integração de conhecimentos. Por isso, o momento recebeu o título de “Campo e Campi: integração de saberes”.

Enquanto Marise Barbosa, coordenadora das rodas de prosa, explicava o objetivo e a importância das rodas para o Encontro de Culturas, o Terno de Moçambique de Fagundes (MG), comandado pelo Capitão Júlio Antônio,  passava pelo lado de fora do Espaço Seu Domingos. Unanimidade: a roda fez uma pausa e só recomeçou depois que todos os participantes voltaram para a sala, com os olhos e os corações renovados pela devoção do Congo.

A conversa foi direcionada por dois professores convidados da Universidade de Brasília (Unb): Antenor Ferreira, do Departamento de Música, e Nina Laranjeira, da Faculdade de Ciências Naturais, que abriram espaço para Giselle Dupin, Assessora Internacional da Secretaria da Cidadania Cultural do Ministério da Cultura (MinC) e Sinvaline Pinheiro, representante popular em Minaçu e cronista do Encontro de Culturas. Estiveram presentes ainda alunos da Universidade de Brasília, Universidade Federal de Goiás, Universidade Federal de Santa Catarina e interessados no assunto.

Experiência
O professor Antenor Ferreira apresentou o projeto Encontro de Saberes Tradicionais, idealizado pelo antropólogo José Jorge de Carvalho e realizado na Universidade de Brasília em 2010. “A ideia do projeto é convidar mestres da cultura tradicional, vindos de vários lugares do Brasil, para ministrar aulas sobre temas ligados ao universo cênico-musical e questões ecológicas”, explicou Antenor.

Segundo ele, para esta primeira etapa do projeto, foram convidados mestres da Congada de Moçambique e do Cavalo Marinho. A conversa foi continuada pela professora Nina, que aproveitou o momento para contar como foi a experiência em Brasília e como isso repercutiu dentro da Universidade, além de destacar a importância do projeto para a cultura brasileira. “Nossas raízes estão sendo perdidas, mas se a sociedade assume o papel e o compromisso de trabalhar com essa cultura tradicional, temos a chance de reavivar  a tradição”, destacou.

Impressões

Sara Melo, 27, bióloga e mestranda em educação e estudos culturais em Santa Catarina ficou encantada com o projeto defendido pelos professores. “A ideia é ótima, vou levar para minha universidade e estimular meus professores a correrem atrás de levar isso para nosso universo. É um caminho possível e enriquecedor para a academia”, destacou.

Já Tona Forrest, 19, estudante de História na Universidade de Brasília, participou diretamente do projeto: “Foi um momento muito especial, me senti conectada com minha identidade, que é a brasileira. Os mestres ganharam uma disciplina dentro da grade livre e trouxeram mais do que o conhecimento popular para a universidade, foi um momento para repensar o formato e o modelo atual das aulas e métodos avaliativos”.

Para Giselle Dupin, “esse projeto merece ter continuidade, não apenas na UnB, mas também em outras universidades. É importante debater e discutir o assunto até para o projeto ser divulgado e multiplicado, o que eu puder fazer de dentro do Ministério, com certeza vou fazer”, pontuou.

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