Economia Criativa - 04/08/2011

Economia Criativa em benefício da cultura popular

A Roda de Prosa sobre economia criativa discutiu a criação de uma secretaria pelo MinC e abordou várias formas de atuação para esse novo braço do Ministério

por Vanessa Martins

Foto: Fredox Carvalho

Encontro discute o tema Economia Criativa durante Roda de Prosa

O Espaço Seu Domingos sediou, na tarde do dia 30 de julho, um debate sobre Economia Criativa, onde a representante do Ministério da Cultura (MinC), Luciana Guilherme, explicou o conceito dessa nova área, que está sendo criada como uma secretaria dentro do ministério, e discutiu as possíveis atuações da mesma. Estavam presentes, além da própria Luciana, o coordenador geral do evento, Juliano Basso, Pedro Guimarães, a Administradora da Vila de São Jorge, Téia Santos, o diretor de Ação Cultural da Agepel, Décio Coutinho, o deputado Barbosa Neto e outros participantes

O debate teve início com a própria Luciana, explicando o conceito de economia criativa. Segundo ela, esse tipo de economia consiste em gerenciar tudo o que é gerado pela criatividade. Diferentemente da economia tradicional, esta não é uma economia de “oferta e procura”, mas uma economia de abundâncias. “É uma economia abundante na qual, quanto mais exploramos mais podemos retirar”, explica.

Nessa área todos os valores são trabalhados de forma simbólica, uma vez que são produtos da criatividade. “Uma tela, por exemplo, o valor dela não está somente no material usado para pintá-la, mas no valor atribuído a ela pela criatividade do pintor”, exemplifica Luciana.

O trabalho da economia criativa consiste, também, em valorizar esses artistas para que eles possam viver com o que é produzido por eles, ou seja, permitir que a sua criatividade gere renda. “É preciso regularizar a questão dos direitos de propriedade intelectual e da previdência. Como um músico ou ator se aposenta no Brasil depois de anos de trabalho?”, questiona Luciana. Ela também explicou que é preciso identificar e mostrar o potencial dessas produções de bens e serviços, proporcionando desenvolvimento local e regional. 

O primeiro país a usar esse conceito em seu governo foi a Austrália, gerando um grande crescimento educacional e cultural no país. Luciana conta que, hoje, a maior exportação desse país é o conhecimento através dos programas de bolsa de estudo, permitindo que outras pessoas estudem lá.

“O conceito é novo, mas a economia em si é antiga, pois existe desde quando existe arte, manifestações culturais, patrimônio natural e cultural”, explica a representante do MinC. Todas as formas de cultura podem ser valorizadas através da criação dessa secretaria, chamando atenção para o mercado étnico e a cultura popular, que podem ser muito explorados e beneficiados.

O estado de Goiás recebe  pessoas de todo o país, cada uma trazendo um pouco de sua cultura, o que o faz ter uma diversidade cultural muito grande. Décio Coutinho chamou atenção para isso, destacando Goiás como o estado o mais diversificado do país. “Acredito que o grande desafio será trabalhar com a cultura popular, que desperta diversos questionamentos e, ao mesmo tempo, temos que ter muita cautela para não interferir em uma tradição”, preocupou-se  Décio.

A Administradora da Vila de São Jorge, Téia Santos, também lançou um desafio para a nova secretaria, buscando a realização de um sonho de vários moradores da Vila de São Jorge. “Há muitos anos eu procuro uma forma de construir um museu do garimpo que conte a nossa história e resgate a identidade dos moradores daqui”, conta Téia, que gostaria de contar com a ajuda da secretaria para construir esse espaço.

Luciana explicou que a secretaria já está se estruturando para começar a atender, de forma prática, até o final do ano. “Nós fizemos alguns encontros com  parceiros e  deles participaram cerca de 16 ministérios e secretarias”, conta. O planejamento já foi iniciado e deve ter fim em agosto, para começarmos o trabalho prático. O grupo está mapeando todo o país, destacando as principais regiões de cada estado para facilitar o trabalho.

“A secretaria será dividida em duas diretorias: uma que trabalha com a parte mais burocrática cuidando da infra-estrutura e legislação, e outra que trata do trabalho de campo, em contato com a cultura e criatividade”, explica Luciana, destacando que, apesar da segregação, ambas as diretorias trabalharão de forma integrada.


Incentivo à Cultura Popular

No dia anterior, em Alto Paraíso, a Agepel lançou um edital inspirado no Encontro de Culturas Tradicionais que vai beneficiar dez projetos de cultura popular com 15mil reais, cada um. “Com o apoio do MinC, do SEBRAE e da Universidade Federal de Goiás (UFG) nós lançamos esse edital no Fórum Regional de Cultura, que é o primeiro do estado voltado para a cultura popular”, conta Décio Coutinho. Não é uma lei, mas é uma forma de incentivar projetos de cultura popular. O edital será aberto em agosto e uma curadoria irá avaliar os projetos inscritos para escolher os dez melhores a serem beneficiados.

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