Aldeia Multiétnica

A presença indígena tem sido marcante no Encontro de Culturas desde a sua criação. Criada em 2007, a Aldeia surgiu como uma forma de colocar o público em contato direto com os costumes, tradições e modos de vida das etnias indígenas, tendo a vivência como meio de ação.

Espaço de integração cultural, a Aldeia Multiétnica desenvolve atividades que visam promover a interatividade dos grupos indígenas entre si e com o público. Rodas de prosa, oficinas de artesanato e pinturas corporais, exposições fotográficas e exibição de vídeos produzidos pelos próprios índios ganharam seu espaço cativo. Questões relacionadas a território, à participação dos índios no ambiente urbano, ao patrimônio estético e cultural destes povos, suas reminiscências na cultura popular e a educação especializada passaram a ter um espaço cativo com debates direcionados.

Novo formato

De 2007 a 2010, as atividades da Aldeia ocorriam na Pousada Aldeia da Lua, nas proximidades da Vila de São Jorge. Em 2011, no entanto, surgiu a oportunidade de realizar a Aldeia Multiétnica de maneira mais intimista, tendo como mote a construção de uma oca xiguana, espaço que será destinado às próximas edições do evento.

Entre os dias 15 e 25 de julho, a  Aldeia Multiétnica renasce. Os Yawalapiti, que são os anfitriões da festa, são também os responsáveis pelo início da construção da oca. A partir do dia 20 de julho, as etnias Kayapó, Kaxinawá, Parecí, Fulni-ô e Krahô chegam ao local para colaborar com a finalização da oca e dar início ao grande diálogo multicultural proposto. Desta forma, a partir desse ano, cada edição da Aldeia terá uma etnia anfitriã, que será responsável por comandar a vivência e receber as etnias convidadas.

A Aldeia receberá também a reunião do Colegiado Indígena, órgão que faz parte do Conselho Nacional de Política Cultural - CNPC, desenvolvido pelo Ministério da Cultura (MinC).Na tentativa de legitimar esta experiência intimista, o espaço da Aldeia Multiétnica apresentará mudanças também na visitação. Assim, entre os dias 15 e 21 de julho, as visitas poderão ser feitas apenas no final da tarde. A partir do dia 21, até o dia 25, o local estará liberado para visitação durante todo o dia.

Conceito

O conceito em torno dessa nova dinâmica sugerida pela V Aldeia Multiétnica parte dos costumes de etnias do Alto Xingu. Para elas, tudo tem um dono, seja ele um xinguano ou um espírito da floresta. Assim, os rituais são vistos como manifestações dos espíritos da floresta, aqueles alimentados e cuidados pelos seus donos humanos. O mesmo acontece com as festas. Quando há a construção da casa do dono de uma festa, toda a comunidade realiza um mutirão.

Em troca do serviço coletivo, o dono da casa dá uma festa e patrocina um ritual, que ocorre simultaneamente ao trabalho, provendo os instrumentos e a alimentação dos participantes e dos espíritos. A construção da oca da V Aldeia Multiétnica representa, portanto, a construção da casa do dono da festa.

Os índios Yawalapiti serão conduzidos pelo líder Anuiá, que aprendeu o ofício com o mestre Maniy'pWarakáKamayurá, conhecido como Maniwa, da etnia Kamayurá. Maniwa tem 63 anos, é natural do Parque Indígena do Xingu e mestre de referência na organização e realização das festas tradicionais na comunidade Yawalapiti.

Mapa da Aldeia

Veja abaixo o mapa para a Aldeia. O caminho está sinalizado e tem 2,5 km, sendo que o trecho final é muito íngreme. Deixe seu carro em São Jorge e siga pela trilha. Caso você opte por ir de carro, a taxa de estacionamento será R$ 10,00.


Wolmi e Marimbondo, 2005. Foto: Débora Amorim

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