Fundação Darcy Ribeiro

Darcy Ribeiro nasceu em 1922, na cidade de Montes Claros, Minas Gerais.  Marcou seu nome em diversas áreas, tais como a antropologia, educação, política e literatura, além de ser um estudioso crítico sobre as estruturas da sociedade. Sempre foi considerado uma pessoa visionária, inovadora, realizando projetos audaciosos e que geram muitos frutos até os dias de hoje.

Ingressou na Faculdade de Medicina de Belo Horizonte atendendo um desejo da mãe, porém preferia frequentar as aulas da Faculdade de Filosofia e da Faculdade de Direito, o que o levou a abandonar os estudos médicos, transferindo para a área de humanas.  Formou-se em antropologia pela Escola de Sociologia e Política de São Paulo, em 1946, e dedicou os primeiros anos da carreira a estudar etnias indígenas do Pantanal, Brasil Central e Amazônia, além de grupos na Bolívia e Peru. Durante esses estudos, conviveu com os Kadiwéu, Terena, Kaiwá, Xavante, além dos Quíchua e Aimará, na Bolívia.

Em 1953, Darcy Ribeiro montou o Museu do Índio, instituição que tem o objetivo de manter viva a história e cultura dos povos indígenas nacionais. Além da preservação, o museu realiza constantes pesquisas sobre as etnias, divulgando novos estudos sobre a origem, língua e tradições desses primeiros habitantes do Brasil, também compartilhando seu acervo com a sociedade em geral,  tornando-se um forte referencial para estudiosos do assunto. Nesse mesmo período, formulou o projeto de criação do Parque Indígena do Xingu, primeira terra indígena homologada pelo governo.

Após deixar vasta contribuição no campo antropológico, incluindo vários livros publicados, dedicou-se à educação primária e superior. Darcy Ribeiro foi um grande visionário nesta área, implantando os Centros Integrados de Ensino Público (CIEP) durante o primeiro governo de Leonel Brizola (1983-1987), quando ocupava o cargo de vice-governador, no Rio de Janeiro. Esse projeto consistia em fornecer assistência em tempo integral às crianças, incluindo atividades esportivas e culturais, além da educação formal. Nos dias de hoje, esse modelo de sistema educacional vem ganhando bastante visibilidade, estando presente nas propostas de campanha da maioria dos políticos nacionais. Como contribuição ao ensino superior, o intelectual criou, juntamente com Anísio Teixeira, a Universidade de Brasília (UnB), sendo também o seu primeiro reitor, além de criar a Universidade Estadual do Norte Fluminense.

Seus feitos no campo educacional foram um trampolim para a política, chegando a ser ministro da educação no governo de Jânio Quadros e, posteriormente, assumindo a Casa Civil no mandato de João Goulart. Em 1964, com o golpe militar, teve seus direitos políticos cassados e exilou-se em vários países da América Latina, como Uruguai, Chile e Peru. Na década de noventa, de volta ao regime democrático, foi eleito Senador, destacando-se por priorizar a educação.

Durante seus anos como estudioso, tanto da área antropológica, quanto da educação, produziu dezenas de livros e ensaios, os quais servem de referência até os dias atuais. Entre as obras de maior destaque estão "Os índios e a civilização", "Diários índios", "O processo civilizatório" e por último, mas um dos mais consagrados livros escritos por ele, "O povo brasileiro". Tal empenho e destaque lhe renderam a nomeação na Academia Brasileira de Letras, onde assumiu a cadeira 11, em 1992.

Darcy Ribeiro faleceu em 17 de fevereiro de 1997, vítima de câncer. Em seu último ano de vida dedicou-se a organizar a Fundação Darcy Ribeiro, que tinha como objetivo preservar suas obras e pensamentos, além de ser um espaço para fomentar novos projetos culturais e educacionais.

FUNDAÇÃO DARCY RIBEIRO

A Fundação Darcy Ribeiro (Fundar), criada em 11 de janeiro de 1996, é uma instituição que se destina a preservar as obras, ideias e filosofias de seu fundador, o antropólogo Darcy Ribeiro, dando continuidade aos seus projetos. Além dos já existentes, outro intuito é o de fomentar novos projetos de cunho cultural e educacional. A fundação mantém o foco nos personagens mais estudados por seu idealizador, os povos indígenas, o negro e os caboclos brasileiros, buscando programas e execução de trabalhos que visem a solidariedade a esses grupos socias.

O próprio estatuto da instituição demonstra toda essa preocupação em dar continuidade aos projetos de Darcy Ribeiro, tais como a manutenção do Parque do Xingu e do Museu do Índio e também nas universidades. Os objetivos apresentados nesse documento refletem a grande importância e preocupação que o antropólogo dava à educação, que sempre buscou incentivar e financiar ideias que estimulassem essa área, além de alertar constantemente sobre a necessidade de se fazer uma reforma educacional no país. A Fundar oferece  também cursos de atualização a professores, diretores e coordenadores de escolas públicas e privadas, para que estes se aperfeiçoem e elaborem novos projetos político pedagógicos em suas instituições de ensino.

A Fundação Darcy Ribeiro possui um grande acervo de documentos, fotos, cartas e arquivos pessoais, disponível a pesquisadores interessados nos mais diversos temas, sejam eles ligados à cultura indígena, política ou educação, além da biografia do fundador. Tais consultas ao acervo são feitas no prédio da própria instituição com agendamento prévio.

Em 2010, a Fundar, em parceria com o Ministério da Cultura, inaugurou o Memorial Darcy Ribeiro, localizado na UnB. O local conta com biblioteca, salas de aula além de espaço para descanso e apresentações culturais e solenidades. Essa homenagem ao intelectual amplia os espaços destinados ao ensino formal e também à cultura, luta que Darcy Ribeiro levou adiante durante seus anos de vida e atuação intelectual e política.


Célia Sampaio, 2010. Foto: Fredox

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