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31/07/2011 | Turma que Faz

A Véia e a Anta: uma semente de esperança

A Turma que Faz se apresentou no XI Encontro de Culturas, com ideias criativas para a defesa do meio ambiente, plantando uma semente de esperança no público

por Caio Sena


Miquéias Paz faz participação especial como Anhanganherê na opereta da Turma Que Faz Foto: Fredox Carvalho

Quem parava em frente ao palco principal do XI Encontro de Culturas na noite de 29 de julho, percebia que algo de muito importante iria acontecer.  Um dos grandes acontecimentos, a apresentação da operata popular A Véia e a Anta traz uma euforia que contagia toda a Vila. A rua da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge estava lotada, e por todos os lados haviam olhares atentos aos movimentos que aconteciam no palco, antes do início da apresentação.

Doroty Marques, a coordenadora do projeto Turma Que Faz, abriu a noite falando de sua satisfação em gerir um projeto com as crianças da Vila de São Jorge. Além de agradecer a Petrobras, que patrocina a Turma desde o início do projeto, Doroty falou da importância de se abrir espaço para a criatividade dos pequenos. “A criança não tem vez em lugar nenhum, por isso me reuni com o Juliano para fazer um projeto onde os a voz e a opinião das crianças é o mais importante”, destacou.


Crianças do projeto Turma Que Faz em ação durante apresentação da opereta "A Véia e a Anta". Foto: Fredox Carvalho

O show da Turma reforça a visão pedagógica defendida por Doroty, durante a apresentação é notório o conhecimento e o interesse pela cultura popular expressado por crianças, adolescentes e adultos. No fundo do palco, os violeiros Dércio Marques, Noel Andrade, Renato Segredo e na percussão Mãe da Lua completavam a trilha sonora.

Enredo
A Véia e a Anta conta a história de um povoado que se prepara para receber a visita do Anhanganherê, o espírito da natureza. Segundo a lenda criada pela Turma Que Faz, quando Anhanganherê fica triste e chora, tudo ao seu redor morre de tristeza. A opereta se desenvolve com a Véia tentando convencer a Anta, que é mágica e conversa com os elementos da natureza, a dar mais uma chance a humanidade que está destruindo o meio ambiente.

Depois de uma boa conversa, a Anta resolve ajudar o povoado e conversa com os elementais com a finalidade de convence-los a não fazer o espírito da natureza chorar e, assim, destruir o mundo. O final da história foi decidido juntamente com os internautas, que a partir de alguns quadros pintados por alunos do projeto, responderam, pelo twitter e facebook, a seguinte pergunta: Qual sua ideia para salvar a natureza e o mundo; e evitar que o Anhanganherê chore, destruindo tudo ao seu redor? As sugestões foram analisadas pela coordenadora do projeto e devolvidas como forma de esperança no final da apresentação.

Criatividade
A criatividade cênica aflorava em pequenos detalhes, que eram percebidos pelo público. “A peça está belíssima. Gostei de tudo, mas destacaria o figurino e a preocupação da diretora em reviver brincadeiras de criança, como o momento de pular corda. Isso desperta o imaginário e estimula a nova geração a se divertir longe do computador”, ressaltou Donaldo James, 31, designer de interiores e paisagista.

A Anta da história se comunicava com batidas de catira e a força das pisadas demonstrava seu estado de humor. A Turma, que sempre se apresenta chamando a atenção do público para a preservação do meio ambiente, sobretudo o Cerrado, não se esqueceu de invocar os elementos fogo, água, ar e terra para participarem da festa. “Estou emocionada, o trabalho apresentado é louvável e deve ser mantido”, disse Nara Faria, 31, atriz. 

Esperança
Antes de terminar a apresentação, os integrantes da Opereta entregaram para as pessoas mais próximas do palco sementes de frutos do Cerrado. Uma atitude que, além de emocionar grande parte do público, estimula o reflorestamento de forma direta e ainda simbólica. “Eu fico sem palavras até para dizer o que achei da opereta. O trabalho deles é magnífico, maravilhoso. Tenho dois filhos que participam do projeto, sou até meio suspeita para falar”, declarou Maria de Lourdes, 40, coordenadora de hospedagem do Encontro de Culturas.

A mãe de Isabela e Isadora Araújo, que fazem parte da opereta interpretando os elementos fogo e água respectivamente, também estava presente e comentou: “meus filhos participam da Turma Que Faz desde quando o projeto começou. É muito gratificante pra mim e pra eles, pois além de ficarem com a cabeça ocupada com arte, estão fazendo o que gostam e ainda recebem uma ajuda financeira por isso”, lembrou Ione Araújo, 26, professora.


Kayapó / Mebêngôkre, 2009. Foto: Mazé Alves

#ENCONTRODECULTURAS



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