Percussão histórica

Vestido de história, Bongar encerra a programação do Encontro

O grupo Pernambucano proporcionou uma musicalidade integral a todos os participantes da oficina de percussão e do show que findou a programação do palco da Vila de São Jorge
Mário Braz
Em 03/08/2012, 19:32


Bongar apresenta o Coco da Xambá no Cerrado goiano. Foto: Anne Vilela

O som da alfaia comoveu cada pedra da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge. É o Bongar que dá início à sua oficina de percussão na Vila de São Jorge. O grupo é formado por seis integrantes que dividem o vocal e desempenham variados instrumentos. Guitinho no pandeiro; Iran e Moisés na alfaia; Shirleno no abê; Edilson nas congas e João Alberto no ganzá ficam sob a coordenação femina de Marileide.

Não é só a musicalidade do Bongar que chama atenção, o caráter político está presente no discurso dos seis componentes do grupo que, nascido em 2001, no Quilombo Portão de Gelo, na cidade pernambucana de Olinda, leva aos palcos que visita, o Coco das tradicionais festas do terreiro da Xambá, berço da manifestação cultural do grupo.

O Coco da Xambá é realizado na comunidade quilombola a que fazem parte, há mais de 40 anos. Como única Nação Xambá no Brasil, o Terreiro do Portão do Gelo, completa sua sétima década de existência. O povo Xambá tem origem na região ao norte dos Ashanti e limites da Nigéria com Camarões, na África.
   
Todo o traçado histórico é repassado aos presentes na oficina, oferecendo a eles a oportunidade de apreciar uma imagem acústica do que é o Coco nascido no Quilombo Portão de Gelo. A nova geração da Xambá busca atender à demanda de valorização das manifestações religiosas e culturais afro-brasileiras. Utilizando a música como instrumento político Guitinho explica, “com todo o bojo cultural e histórico da nossa família, levantamos esse grito”.

Carente de instrumentos suficientes a todos os participantes da Oficina, e por ser uma oficina de percussão, o Bongar aproveitou para extrair de cada um a musicalidade interior. Assim, a partir do corpo e da voz, cada presente pôde formar, na coletividade, o ritmo do Coco.

A iniciativa, além de trabalhar as qualidades musicais individuais, também proporcionou uma interação entre os participantes entre si e, também, com o gênero Coco. “O nosso corpo já é um instrumento, o nosso andar, a nossa fala, o nosso coração, a respiração, isso tudo faz parte da música. O silêncio também é música” completou o mestre da alfaia, Iran, que tirou, por meio do solfejo – técnica de entoar músicas por meio do pronunciamento das notas musicais –, toda a capacidade sonora de quem esteve na oficina.

O caráter musical do Bongar envolve diferentes discursos que tratam, a partir do histórico do grupo, e da comunidade berço, pontos como a intolerância religiosa, racismo e preconceito.

Palco

Marco do fim da programação do XII Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, o palco da Vila de São Jorge recebeu o Bongar. Alfaia, pandeiro, ganzá, abê e congas tocaram juntos à emoção do público, que animado, dançou o Coco mais esperado do Encontro.

Presentes no show do Bongar, integrantes do grupo chileno Merkén se disseram impressionados com a energia que o grupo brasileiro despendeu no palco. “É muito contagiosa, a energia, o ritmo é muito lindo” confessou Pablo Lopez, que domina os teclados do Merkén.

A primeira apresentação do Bongar no Encontro de Culturas proporcionou a todos um contato direto e original de como é realizado e degustado o Coco que remonta as expressões culturais da Nação Xambá. É indiscutível que eles fizeram um dos melhores shows desta edição do Encontro.

 

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