Krahô

Corrida de tora encerra VII Aldeia Multiétnica

Turistas e moradores da Vila de São Jorge assistem corrida de tora dos jovens Krahô
Guilherme Assis
Em 29/07/2013, 11:59


Índios Krahô fazem a tradicional corrida de tora pelas ruas de São Jorge. Foto: Anne Vilela

Após cinco dias de celebrações dos povos indígenas presentes na VII Aldeia Multiétnica, o encerramento reuniu cerca de 600 pessoas que assistiram a famosa corrida de tora. Moradores da Vila São Jorge, turistas de todo o Brasil e as outras etnias presentes viram a exibição da vitalidade Krahô.

As mulheres entoavam cânticos antes da descida com a tora. Os homens se preparavam ao redor do tronco. Um deles levantou a tora enquanto dois ajudavam a colocar na melhor posição. Na partida, exatamente às 17h30, 18 índios gritaram apoiando o primeiro corredor. Ele desce a ladeira na entrada de São Jorge. 

A corrida de tora é um esporte e ao mesmo tempo serve como ritual em algumas comemorações. Uma peça de Buriti com pouco mais de um metro de comprimento é carregada no ombro do índio enquanto ele corre.

No meio do percurso artesãos e pedestres se posicionavam no trajeto. As pisadas fortes dos indígenas eram o alerta para quem, de longe, ouvia a movimentação. O esporte é praticado pelos jovens da aldeia Krahô. O preparo físico é essencial, pois correr 700 metros com uma tora de Buriti de 120kg nas costas não é para qualquer um.

Uma aldeia indígena é um espaço de construção social avançado. As idiossincrasias do local permitem inúmeras análises sobre assuntos como maternidade, família, costumes e outros temas. Durante a corrida de tora, os jovens são a principal atração. Os mais velhos fitam concentrados os olhos na juventude que já não lhes pertencem mais.

Já numa idade avançada, José Miguel Kohjoc é quem explica a tradição. “A corrida é uma coisa boa pra saúde. Os jovens são muito fortes e ganham mais força quando carregam a tora. Mas a corrida é só pra quem tá na idade. Pra mim não dá mais”, brinca.

Na chegada da corrida os espectadores aplaudiram os corredores. As índias Krahô entoaram cânticos em homenagem à tradição. Ao final, Mokuka, índio cantor Krahô, entoou o hino nacional em sua língua. O encerramento contou com a participação das aldeias Fulni-ô, Yawalapiti, Kaiapó e Xucuru, que depois participaram de uma confraternização na Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge.

 

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