Encerramento

Discussões, vivências, música, dança e crenças marcam o XIII Encontro de Culturas

Mais uma vez o evento foi sucesso de público e de crítica
Alessandra Alves
Em 02/08/2013, 19:41


Império Kalunga percorre as ruas da vila de São Jorge. Foto: Anne Vilela

Na segunda quinzena do mês de julho, a Vila de São Jorge, na entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros foi invadida por um sentimento de descoberta da diversidade e das inúmeras potencialidades da cultura tradicional brasileira. Mais uma bem sucedida edição do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros ascendeu o lugar e fez dele um alicerce para fortes alianças entre os mais diversos grupos, povos e comunidades.

O XIII Encontro foi permeado por encontros. Em parceria com o evento foram realizadas várias atividades paralelas que integraram a programação. O VI Encontro de Capoeira Angola aproximou jovens e mestres angoleiros a partir de rodas de capoeira, oficinas e debates. Mestre Valmir, da Bahia, foi o convidado especial desta edição, que envolveu representantes de grupos de capoeira angola de várias partes do país.


VI Encontro de Capoeira Angola com Mestre Valmir / Foto: Delcio Gonçalves

Outro braço do evento, o II Encontro de Lideranças Quilombola, que também integrou a programação, reuniu lideranças de comunidades quilombola de todo o Estado. Intermediaram as "prosas"  representantes da Secretaria de Cultura do Estado de Goiás e da Secretaria de Estado de Políticas para Mulheres e Promoção da Igualdade Social (Semira). O momento foi muito propício para a uma Pré Conferência Regional de Igualdade Racial que elegeu 10 delegados para a Conferência Estadual, que ocorrerá entre os dias 12 e 14 de setembro em Goiânia.

A partir daí, o Encontro de Lideranças Quilombola seguiu como parte integrante das atividades direcionadas às discussões sobre políticas públicas voltadas aos povos e comunidades tradicionais. O Encontro Cultura Viva de Povos e Comunidades Tradicionais, promovido pelo Ministério da Cultura - MinC, em parceria com a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, realizou durante o II Encontro de Lideranças Quilombola a Conferência Livre Quilombola destinada ao levantamento de propostas que serão encaminhadas à Conferência Nacional de Cultura realizada de 26 a 29 de novembro em Brasília. Mais um importante momento de articulação do XIII Encontro.



Conferência Livre Quilombola / Foto: Delcio Gonçalves

Já a VII Aldeia Multiétnica recebeu a Conferência Livre Indígena, que abriu espaço para que representantes do governos e dos povo indígenas discutissem e questionassem as ações do governos e a realidade dos indígenas em todo o Brasil.  A conferência contou com a presença da secretária da Cidadania e da Diversidade Cultural do MinC, Márcia Rollemberg, do representante da Articulação dos Povos Indígenas do Sul, Romancil Cretã, e de lideranças das diversas etnias presentes, que se posicionaram sobre temas importantes, principalmente sobre questões relacionadas à demarcação das terras indígenas em todo o país.

Entre definições retiradas desse encontro, estão a tradução em linguagem indígena de importantes documentos, como a própria Constituição Federal e a Convenção OIT 169, que prevê o direito de escuta dos povos tradicionais. Durante o encontro, oficinas da OIT 169 também foram realizadas. Além disso, os representantes indígenas presentes se mobilizaram para discutir a criação de um "partido indígena", mais uma forma de se organizarem politicamente.

A VII Aldeia Multiétnica recebeu ainda, pela primeira vez, a presença ilustre do Cacique Raoni Metuktire, uma das maiores lideranças indígenas do país, que ao longo de mais de quatro décadas luta pela preservação do meio ambiente e pelo respeito ao  território e defesa das populações indígenas brasileiras.  A presença do Cacique Raoni foi um dos grandes momentos do XIII Encontro de Culturas.


Cacique Raoni Metuktire se encontra com lideranças indígenas / Foto: Anne Vilela

E não haveria melhor lugar para abrigar discussões sobre o Cerrado e sobre a realidade de  comunidades ribeirinhas, indígenas, rurais, agroextrativistas, quilombolas entre outros povos tradicionais, do que a Chapada dos Veadeiros. Em uma parceria entre a Rede Cerrado e a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, foi realizado o Encontro Regional da Rede Cerrado– Etapa Distrito Federal / Goiás, que reuniu cerca de 100 representantes das comunidades, governo e sociedade civil.

De 19 a 27 de julho, muito se discutiu, se articulou. Propostas foram levantas e serão encaminhadas aos órgãos competentes. As comunidades foram ouvidas e se fizeram representar. E essa é sem dúvida, uma das maiores vitórias do Encontro de Culturas.

Encontro de artistas
O que se vê no palco do Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros é a mais profunda mistura, característica da cultura genuinamente brasileira. Por lá passaram as mais diversas manifestações: do coco ao maracatu, do tambor de crioula ao boi, viola, gaita, sanfona. Danças, cantos, rituais, das mais diferentes comunidades. Tudo em seu tempo e  espaço.

Shows com o Ponto BR, os grupos Camerata Caipira e Viajarte, que reúnem artistas de vários locais do país encheram os olhos de visitantes e moradores do lugar. Os grupos internacionais foram outro destaque. Os mexicanos do grupo Los Cojolites fecharam as atividades oficiais do Encontro com um show emocionante. Já o Makina Kandela, formado por músicos colombianos e chilenos,  trouxe a São Jorge a riqueza dos ritmos afro-colombianos. A contadora de histórias mexicana Marcela Romero, foi uma atração a parte e reuniu dezenas de crianças e adultos durante suas apresentações.

Uma apresentação especial do cantor pernambucano Lenine, comemorativa de seus 30 anos de carreira, marcou o evento. O cantor vestiu a camisa do Encontro, se encantou pelo lugar e pela força empreendida em prol das culturas tradicionais do Brasil e fez o que pôde para participar, cobrando um cachê menor que o de mercado, o que favoreceu a sua vinda. E ele também saiu daqui com o coração cheio força e inspiração! Cerca de 5 mil pessoas curtiram um show intimista recheado de antigos e novos sucessos no formato voz e violão.


Lenina comemora 30 anos de carreira com show em São Jorge / Foto: Anne Vilela

As oficinas foram outro destaque desta edição e contaram com a participação de centenas de pessoas que queriam aprender um pouco mais sobre música, dança, culinária, instrumentos, tudo sempre relacionado à cultura tradicional.

O encontro entre as congadas de Fagundes (MG), Catalão e Niquelândia (GO) realizado nas ruas de São Jorge, no último dia de evento foi um momento de devoção e agradecimento  por todas as graças recebidas e pelo grande sucesso de nossa empreitada.

Pessoas do mundo inteiro puderam acompanhar e conhecer um pouco mais da cultura popular do Brasil. Até agora, foram mais de 60 mil acessos ao site do evento. E a nossa agência de notícias contou um pouco sobre tudo! Tudo registrado em mais de 50 notícias e  6.500 fotos que ilustram os melhores momentos da festa.

Estivemos em grandes veículos de comunicação. Lindas reportagens foram produzidas pela  Rede Globo, pela EBC e também pela revista Exame. Na web a cobertura foi maravilhosa, ganhamos destaque na Folha de São Paulo!  Jornais como o Correio Braziliense, Jornal de Brasília, Jornal O Popular e O Hoje deram destaque a toda a programação, provando que  que a cultura tradicional brasileira pode sim ser uma grande vitrine para o nosso país e o Estado de Goiás.

No Facebook do Encontro, com mais de 11 mil fãs, o alcance do conteúdo produzido durante o evento atingiu a marca de aproximadamente 498 mil pessoas. Foram posts, fotos, vídeos e curiosidades sobre os grupos que se apresentaram, bastidores e publicações de outros veículos de comunicação sobre o Encontro de Culturas, compartilhados com nosso público.

Financiamento Colaborativo
O Encontro de Culturas é feito de pessoas. E é pensando nessa construção que lançaremos, nos próximos dias, uma nova maneira de participação do público, uma nova proposta para a realização da próxima edição, por meio do financiamento colaborativo. O modelo, bastante difundido no país desde 2011, já foi testado e aprovado por centenas de artistas e produtores, como uma maneira de aproximar público e evento em uma co-produção criativa. Nosso objetivo é colocar nas mãos do público a possibilidade de escolher uma parte da programação do próximo ano participando com pequenas cotas de apoio. Assim, esperamos compartilhar, além das experiências e vivências, a satisfação da co-criação.

 

A Vila de São Jorge