19 de julho a 02 de agosto de 2014

vila de são jorge . alto paraíso de goiás

VIII Aldeia Multiétnica

A presença indígena tem sido marcante no Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros desde a sua criação. Criada em 2007, a Aldeia Multiétnica surgiu como uma forma de colocar o público em contato direto com os costumes, tradições e modos de vida das etnias indígenas, tendo a vivência como meio de ação.

Espaço de integração cultural, a Aldeia desenvolve atividades que visam promover a interatividade dos grupos indígenas entre si e com o público. Rodas de prosa, oficinas de artesanato e pinturas corporais, exposições fotográficas e exibição de vídeos produzidos pelos próprios índios ganharam seu espaço cativo. Questões relacionadas a território, à participação dos índios no ambiente urbano, ao patrimônio estético e cultural destes povos, suas reminiscências na cultura popular e a educação especializada passaram a ter destaque em debates direcionados.

Em 2011, o projeto assumiu um novo formato com a construção de uma verdadeira aldeia indígena, instalada às margens do Rio São Miguel. O objetivo é que cada povo tenha sua “casa” no local, constituindo uma legítima Aldeia Multiétnica. Os Yawalapiti iniciaram esse novo modelo construindo - com auxílio da comunidade Kalunga - uma Oca Xinguana, a primeira da Aldeia. Em 2012 foi a vez dos Kaiapó e em 2013 dos índios Krahô deixarem no local uma de suas construções tradicionais. Anfitriões da VIII Aldeia Multiétnica os índios Fulni-ô construirão este ano a quarta moradia na Aldeia Multiétnica onde receberão representantes dos povos Krahô, Kayapó, Yawalapiti, Fulni-ô, Xavante, Kariri-Xocó, Kaxinawá, Trucá e Wará.

A VIII Aldeia Multiétnica tem como tema "Interculturalidade –  Desafios e perspectivas".

Etnias

Fulni-ô (PE)
Vindos do município de Águas Belas, em Pernambuco, a etnia é conhecida por ser a única que mantém a língua mãe, Ia-Tê, em todo o nordeste. Também conhecidos como Carnijós ou Carijós, os Fulni-ô têm diversas crenças que incluem a realização de rituais, como Ouricuri, que dura dois meses e exige a mudança de todo o grupo para uma segunda aldeia. A economia do grupo gira em torno de artesanatos, que são vendidos, e a alimentação é constituída basicamente pela agricultura de subsistência.

Kamaiurá (MT)
Os Kamaiurá constituem uma referência importante na área cultural do Alto Xingu, em que povos falantes de diferentes línguas compartilham visões de mundo e modos de vida bastante similares. Estão ainda vinculados por um sistema de trocas especializadas e rituais intergrupais, os quais recebem diferentes nomes no interior de cada etnia, mas que ficaram mais conhecidos (pelos de dentro e os de fora do universo xinguano) justamente pelos termos usados na língua Kamaiurá, tais como o Kwarup e o Jawari.

Kariri-Xocó (CE)
Os Kariri-Xocó estão localizados na região do baixo São Francisco, no município alagoano de Porto Real do Colégio. A denominação Kariri-Xocó foi adotada como consequência da fusão entre os Kariri de Porto Real de Colégio e parte dos Xocó da ilha fluvial sergipana de São Pedro. Estes, quando foram extintas as aldeias indígenas pela política fundiária do Império, tiveram suas terras aforadas e invadidas, indo buscar refúgio junto aos Kariri da outra margem do rio. O ritual do Ouricuri que dá sentido à terra, à família, à identidade, à chefia, enquanto princípio organizador. Estrutura a vida perceptível mediante a ordenação do sagrado, do misterioso, do intangível, daquele reduto da vida indígena que a sociedade nacional não consegue dominar.

Kayapó / Mebêngôkre (PA)
Os Kayapó, que também recebem os nomes Caiapó, Gorotire, A'ukre, Kikretum, Makragnotire, Kuben-Kran-Ken, Kokraimoro, Metuktire, Xikrin ou Kararaô, se autodenominam Mebêngokre e vivem em aldeias que se localizam no Brasil Central e sua área de abrangência atinge os estados do Pará e do Mato Grosso. São da família lingüística Jê. Os rituais kayapó são numerosos e diversos, mas sua importância e duração variam fortemente. Dividem-se em três categorias principais: as grandes cerimônias de confirmação de nomes pessoais; ritos agrícolas, de caça, de pesca e de ocasião; e os ritos de passagem.

Krahô (TO)
Os Krahô se autodenominam Mehim. Também conhecidos como Craô ou Kraô, o povo vive no Tocantins e, segundo uma pesquisa da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), em 2010 somavam 2.463 indivíduos. Eles fazem parte da família linguística Jê. Os índios do povo Krahô participam do Encontro de Culturas desde 2006, sempre mostrando a sua tradicional corrida de toras.

Trucá (BA, PE)
Habitantes seculares da Ilha da Assunção, no rio São Francisco, os Truká tiveram suas terras apropriadas desde pelo menos o século XVIII por poderes municipais, eclesiásticos e posteriormente estaduais. Nos dias de hoje, a comunidade truká luta pela conclusão do processo de reconhecimento oficial de seu território, bem como pela expulsão de posseiros não-indígenas e de narcotraficantes, uma vez que está localizada no chamado “Polígono da Maconha” no sertão pernambucano. De acordo com pesquisa divulgada pela Funasa, em 2009 os Trucá eram 3.078 indivíduos.

Yawalapiti (MT)
Os indígenas do povo Yawalapiti pertencem à família linguística Aruak e vivem no sul do Parque Indígena do Xingu, região do Mato Grosso conhecida como Alto Xingu. Segundo dados da Funasa, em 2006 existiam 222 indígenas desta etnia. No XI Encontro de Culturas, eles construíram uma oca xinguana, típica de suas aldeias. Os Yawalapiti possuem como base de suas atividades a agricultura e da pesca.

Waurá (MT)
Os povos de língua Arawak - Wauja e Mehinako - que hoje habitam a região do Alto Xingu são os descendentes diretos de vários grupos imigrados do extremo sudoeste da bacia amazônica e que estabeleceram as primeiras aldeias xinguanas a partir dos anos 800 e 900. A natureza dos vestígios e as datações radiocarbônicas no intervalo entre o anos 1000 e 1600 apontam para uma ocupação caracterizada por um padrão de assentamento predominantemente sedentário baseado em grandes e populosas aldeias circulares (de 40 a 50 acres) com praça central, por amplas transformações da paisagem, pela construção de obras públicas destinadas à defesa das aldeias - valetas, paliçadas e caminhos terrestres elevados - e por uma tecnologia cerâmica particular a essa região.

 

A Vila de São Jorge




Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros é um projeto da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge.
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