19 de julho a 02 de agosto de 2014

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Oficinas

Oficina de cerveja ensina visitantes da Vila de São Jorge a fazerem sua própria bebida

Na última semana o XIV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros recebeu o cervejeiro chileno Manolo
Carolina Piai
Em 03/08/2014, 15:19


Oficina de cerveja artesanal oferecida pelo Encontro de Culturas. Foto: André Amorim

“Quem já fez sua própria cerveja?”, perguntou Manoel Medina, mais conhecido como Manolo, no início de sua oficina, na última terça (29). Em resposta, algumas mãos foram estendidas: duas ou três, coisa pouca. No final da atividade, todos dali já sabiam como fazer a bebida e tinham, inclusive, acompanhado esse processo prático. O produto final, porém, só ficou pronto depois de quatro longos dias – a maior parte dos presentes esperava beber uma cerveja gelada no final da oficina. Independentemente, a demora não foi problema.

A atividade, que integrou a programação de oficinas do XIV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros, atraiu cerca de 25 participantes. Enquanto Manolo explicava os pequenos detalhes de cada etapa, o público ouvia atentamente. O cervejeiro, no meio da descrição, efetuava a ação na prática. Assim, pouco a pouco, todos entendiam o que ocorria ali. Durante a oficina, que levou cerca de três horas, o paulista Fabio Leão comentou: “É uma aula de química!”.

Fabio nunca tinha feito cerveja: “Quando você vê o processo acontecendo, aprende mais. Além disso, ter a oportunidade de degustar algumas fases é interessante, porque você vê exatamente o que cada fase faz com o produto”. Para ele, a oficina resolveu algumas dúvidas: o sabor amargo, por exemplo, é resultado de um ingrediente específico, o lúpulo, uma flor responsável por esse gosto e pelo aroma.

O mineiro Guilherme de Carvalho, por outro lado, já conhecia o processo e tinha feito sua própria cerveja algumas vezes. “É bom trocar experiências”, comenta. “O brasileiro já tem a tradição de tomar a cerveja e têm grandes empresas que dominam o mercado, é legal esse surgimento de cervejas alternativas e caseiras. É bom beber um produto que não é industrial – a gente muitas vezes nem sabe de onde vem. Você vê que é um negócio simples”.

A percepção de Guilherme é bem próxima à do cervejeiro: ele acredita que a importância de fazer sua própria cerveja é garantir a qualidade. Manolo começou a fazer cerveja em 1975, no Chile, seu país de origem. “Eu sou analista químico e na época estava estudando e fui fazer estágio na CCU (Companhia de Cervejarias Unidas)”, conta, com seu sotaque acentuado. “Depois me ofereceram ficar porque a vaga do laboratorista estava disponível. E eu, que gosto de cerveja, fiquei na hora. Pensei: Que ótimo!”. Depois de muitos anos, em 2005, nascia sua primeira neta. Manolo, que já estava aposentado, se mudou para Cavalcante com a mulher e lá criaram sua cervejaria artesanal, a Aracê.

Manolo nunca havia conduzido uma oficina. Mesmo assim, o fez com prontidão, como um bom professor de química. “É importante despertar o interesse de outras pessoas a fazer a sua própria cerveja e a dimensionar as qualidades dessa bebida alcoólica, que, bebida com moderação, traz benefícios para a saúde”, comenta.

Para quem não conseguiu comparecer à oficina, Manolo deixa a receita:

Primeiro, misture malte triturado com água. Essa mistura deve ser feita em uma temperatura que não ultrapasse os 72°C. Em seguida, deve ser feita uma filtragem que tem como resultado um líquido turvo. O líquido deve ser colocado para ferver, a alta temperatura, por cerca de uma hora. Acrescenta-se, então, o lúpulo. Depois, o líquido passa por um processo de resfriação e a ele é somado o fermento. O processo de fermentação dura entre 4 e 7 dias. Finalizada essa fase, a cerveja está pronta. Ela ainda pode ser filtrada, caso seja preferência do cervejeiro.

 

A Vila de São Jorge




Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros é um projeto da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge.
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