19 de julho a 02 de agosto de 2014

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Resistência Cultural

Congo de Niquelândia: Promessa e tradição

Com dança, música e homenagem às Santas Efigênia e Nossa Senhora do Carmo, a Congada da Irmandade Santa Efigênia, de Niquelândia, congrega elementos das culturas africana, indígena e portuguesa
Stephanie Ferreira
Em 03/08/2014, 15:53


. Foto: André Amorim

Por onde passa, a Congada da Irmandade Santa Efigênia desperta curiosidade. Em procissão neste sábado (2/8), viola, pandeiro, cuíca, tamborim e reco-reco abriram alas para as bandeiras de Santa Efigênia e Nossa Senhora do Carmo. Pelas ruas da vila de São Jorge, em suas roupas brancas, saiotes vermelhos e penachos na cabeça, os congueiros de Niquelândia desfilaram sua tradição.

A Congada de Niquelândia é uma manifestação híbrida, que congrega elementos das culturas africana, indígena e portuguesa e está presente em diversas regiões do Brasil. É uma manifestação cultural que mistura dança, música e devoção e tem influências dos escravos africanos, dos índios e do catolicismo português.

Presente desde o primeiro Encontro de Culturas, a tradicional Congada de Niquelândia acontece todos os anos, no mês de julho. Neste sábado (2/8), parte Irmandade Santa Efigênia cantou e dançou em procissão pelas ruas da vila,  até chegarem à Capela de São Jorge. Após à homenagem ao santo, os congueiros fizeram o caminho de volta para a Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, onde se reuniram com  outras congadas da região.

O capitão da Congada de Niquelândia, Valdivino Fernandes Pimentel (53), explica que a Congada em si, “é uma tradição africana, que veio com os escravos”. Contudo, “os penachos na cabeça é tradição dos índios” e “as santas são católicas”. “Nós fazemos esta festa para louvar Santa Efigênia e Nossa Senhora do Carmo. E agradecer pelos milagres que a gente recebe, né. A minha vida mesmo foi salva por um milagre de Santa Efigênia”, contou Seu Valdivino.

Há 46 anos na Congada de Niquelândia, Seu Valdivino aprendeu a dança com seu pai, mas depois de vivenciar um milagre de Santa Efigênia, foi prometido por sua mãe a esta tradição. “Eu entrei na Congada com  meus nove anos de idade pra pagar uma promessa pra Santa Efigênia. Quando eu tinha três anos eu bebi meia garrafa de querosene. Daí na época a gente morava na roça, não tinha médico. Minha mãe viu que eu ia morrer e prometeu que se Santa Efigênia me salvasse, eu seria congo enquanto eu tivesse vida. E aí eu tô nessa tradição até hoje, há 46 anos, até o fim dos meus dias”, disse emocionado.

A maior parte das pessoas que participam da Congada são promesseiros e repassam esse legado para as próximas gerações. É o caso do congueiro Dionísio Lourenço (38), “Meu pai dançava, aí minha vó fez promessa pra mim e com três anos eu comecei na Congada”.

Dionísio permanece na Congada até hoje e dá continuidade à tradição. Para o Encontro de Culturas ele trouxe seu filho Fabrício, de onze anos. “Ele me viu dançando, quis dançar também, aí eu falei, se você quiser ir, eu vou ajeitar pra você dançar e aí ele veio me acompanhar. Isso aqui é tudo família, é primo, tia, parente. É uma coisa só”.

 

A Vila de São Jorge




Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros é um projeto da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge.
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