19 de julho a 02 de agosto de 2014

vila de são jorge . alto paraíso de goiás

Congo

Congada traz graça para os moradores da Vila de São Jorge

Grupo mineiro de 33 pessoas participou pela primeira vez do Encontro de Culturas
Carolina Piai
Em 03/08/2014, 15:58


. Foto: Fábio Luiz

O Congo Sereno, grupo do interior de Minas Gerais, participou pela primeira vez do XIV Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros. A procissão pela pequena Vila de São Jorge aconteceu no último sábado (2). A festa passou primeiro pela igrejinha e depois foi de porta em porta oferecendo louvor ao povo nativo.

Durante praticamente o dia todo, as 33 pessoas do grupo que vieram de Minas cantaram e dançaram sobre o chão empoeirado do vilarejo e sob os olhos atentos, cheios de lágrima, dos presentes. Com grandes tambores e cânticos que remetem ao sagrado, caminharam pelas ruas de São Jorge distribuindo bênçãos. De acordo com a mestra do Congo Sereno, Gislene Aparecida Miguel, “A mensagem do congo é passar uma graça para as pessoas, um milagre. Bênção mesmo. Um descarrego, tranquilidade. Talvez você não resolve o problema dela, mas você deixa ela mais tranquila e fortificada pra enfrentar aquele problema”.

No rosto dos moradores que receberam a procissão, via-se gratidão. “Cada lugar que a gente vai a festa é de um jeito. Essa festa que fizemos aqui, hoje, me fez lembrar de quando eu era pequena”, comenta a mineira.

O pai de Gislene foi o criador do Congo Sereno. “Ele que levantou a bandeira – é assim que a gente fala. Ele fez isso para seguir a tradição, a religião”, conta. Essa manifestação saiu das senzalas e dos quilombos, é uma herança dos escravos do Brasil.

Na tradição, porém, os mestres costumam ser homens. Gislene vai no caminho contrário. “A mulher está sempre querendo conquistar o seu espaço. Tem muitos capitães homens, e aí de repente aparece uma mulher. É importante”, garante.

A capitã tem cinco filhos e todos participam do Congo. Jaciendi Iara, de 10 anos, é uma de suas crianças. “Eu participo porque vem de antigamente da minha família e porque eu gosto. Gosto porque a gente dança e conhece lugares diferentes. Eu danço desde um ano de idade”, conta a jovem garota. Assim, Jaciendi preserva tanto a honra de seu avô, como também a daqueles escravos que já batucavam, há tantos anos, no interior das senzalas.

 

A Vila de São Jorge




Encontro de Culturas Tradicionais da Chapada dos Veadeiros é um projeto da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge.
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