19 de julho a 02 de agosto de 2014

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Kuarup: ritual de despedida dos mortos no Alto Xingu

É tempo de Kuarup no Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso. Uma vez por ano, as aldeias do Alto Xingu, no sul da reserva, se reúnem para dar adeus aos que faleceram.
Assessoria de Comunicação
Em 13/08/2014, 00:42


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É tempo de Kuarup no Parque Indígena do Xingu, Mato Grosso. Uma vez por ano, as aldeias do Alto Xingu, no sul da reserva, se reúnem para dar adeus aos que faleceram. Esta é a maior festa dos alto-xinguanos e marca a passagem dos mortos para o outro mundo.

Nesta sexta-feira e sábado (16 e 17/8), na aldeia Yawalapiti, famílias que perderam seus entes queridos se reúnem com amigos e visitantes para dar o último adeus e encerrar o período de luto.

Para esta despedida tradicional do Alto Xingu, troncos da árvore Kuarup, que representam os mortos, são erguidos na aldeia e enfeitados com vários ornamentos. Cânticos, danças, homenagens e lamentações também fazem parte do ritual.

Ao fim do Kuraup, neste sábado (17/8), os guerreiros lutam a tradicional huka-huka e os troncos são jogados no Rio Xingu para que cada alma siga o seu caminho no outro mundo.

A viabilização desta cerimônia conta com o apoio da Casa de Cultura Cavaleiro de Jorge, através de patrocínio da Petrobrás, pelo terceiro ano consecutivo.

Kuarup: o mito

Sua origem remonta o mito sobre a busca do pagé Mavutsinim pela ressureição dos mortos. Este mito, repassado de geração em geração, conta que este pagé havia preparado um ritual com seis troncos da árvore Kuarup para ressuscitar seis pessoas. Os troncos Kuarup começaram a ganhar vida, até o momento que um homem, que havia tido relações com sua esposa, saiu de casa para vê-los. Imediatamente, os troncos pararam de se mexer e o pagé Mavutsinim determinou, para todo o sempre, que os mortos nunca mais seriam ressuscitados. Só as almas.

Reconhecimento

A partir deste mito, a tradição indígena do Kuarup continua todos os anos no Alto Xingu. Em 2014, já foram realizadas três cerimonias: a dos Kamayurá (26 e 27/7), a dos Kuikuro (01 e 02/8) e a dos Kalapalo (08 e 09/9). Os próximos povos a realizarem o Kuarup são os Yawalapiti (16 e 17/8) e Mehinaco (22 e 23/8).

O Kuarup é mais que um ritual funerário, engloba também diversos aspectos da cosmologia dos diferentes povos do Alto Xingu, como os mitos de criação da humanidade, a classificação hierárquica dos grupos, a iniciação dos jovens e as relações entre as aldeias.

Embora seu legado seja evidente e sua preservação imprescindível, o Kuarup ainda não é reconhecido como Patrimônio Imaterial Brasileiro no livro de Saberes do Instituto de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional – IPHAN, e, consequentemente, ainda não está admitido como Patrimônio Cultural Imaterial da Humanidade pela Organização das Nações Unidas para a educação, a ciência e a cultura – UNESCO. 

 

A Vila de São Jorge




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