De 15 a 30 de julho de 2016
Vila de São Jorge · Chapada dos Veadeiros · Goiás

X Aldeia Multiétnica

Criada em 2007, a Aldeia Multiétnica surgiu como espaço de intercâmbio cultural entre indígenas e não-indígenas. Com rodas de prosa, oficinas, exposições fotográficas e exibição de vídeos produzidos pelos povos indígenas, todos os anos a  programação da Aldeia Multiétnica  envolve pesquisadores, estudantes, ativistas das causas sociais, lideranças comunitárias, poder público, educadores populares, artistas e comunicadores na discussão de um novo mundo.

Mundo em que a sabedoria tribal é reconhecida como caminho alternativo para os desafios da contemporaneidade. Com esse intuito são desenvolvidas na Aldeia Multiétnica atividades que visam promover o diálogo sobre a participação da população indígena no ambiente urbano e ao patrimônio estético e cultural brasileiro.

De 15 a 22 de julho de 2016, celebraremos nossa décima edição no espaço encantado à beira do rio São Miguel, em meio às serras da Chapada dos Veadeiros. Este ano o tema será: “Dez anos de Aldeia Multiétnica: comunicação, saberes tradicionais e novas linguagens”.  Dentre as pautas principais do evento estarão: comunicação, educação, saúde, meio ambiente, o direito à terra e à participação política.

O grande moitará - como os povos do Alto Xingu chamam os encontros que promovem trocas interétnicas - de experiências e saberes desses encontros fortaleceu o interesse das etnias fundadoras em se mobilizarem ano após ano  para que suas etnias permanecessem representadas nessa grande festa.  Ao longo desses anos  passaram pela Aldeia Multiétnica mais de 20 etnias.  Atualmente cinco delas fazem parte do grupo fundador da Aldeia.

São elas:

Fulni-ô (PE)

Vindos do município de Águas Belas, em Pernambuco, a etnia é conhecida por ser a única que mantém a língua mãe, Ia-Tê, em todo o nordeste. Também conhecidos como Carnijós ou Carijós, os Fulni-ô têm diversas crenças que incluem a realização de rituais, como Ouricuri, que dura dois meses e exige a mudança de todo o grupo para uma segunda aldeia. A economia do grupo gira em torno de artesanatos, que são vendidos, e a alimentação é constituída basicamente pela agricultura de subsistência.

Kariri-Xocó (CE)

Os Kariri-Xocó estão localizados na região do baixo São Francisco, no município alagoano de Porto Real do Colégio. A denominação Kariri-Xocó foi adotada como consequência da fusão entre os Kariri de Porto Real de Colégio e parte dos Xocó da ilha fluvial sergipana de São Pedro. Estes, quando foram extintas as aldeias indígenas pela política fundiária do Império, tiveram suas terras aforadas e invadidas, indo buscar refúgio junto aos Kariri da outra margem do rio.

Kayapó / Mebêngôkre (PA)

Os Kayapó, que também recebem os nomes Caiapó, Gorotire, A'ukre, Kikretum, Makragnotire, Kuben-Kran-Ken, Kokraimoro, Metuktire, Xikrin ou Kararaô, se autodenominam Mebêngokre e vivem em aldeias que se localizam no Brasil Central e sua área de abrangência atinge os estados do Pará e do Mato Grosso. São da família lingüística Jê. Os rituais kayapó são numerosos e diversos, mas sua importância e duração variam fortemente. Dividem-se em três categorias principais: as grandes cerimônias de confirmação de nomes pessoais; ritos agrícolas, de caça, de pesca e de ocasião; e os ritos de passagem.

Krahô (TO)

Os Krahô se autodenominam Mehim. Também conhecidos como Craô ou Kraô, o povo vive no Tocantins e, segundo uma pesquisa da Fundação Nacional da Saúde (Funasa), em 2010 somavam 2.463 indivíduos. Eles fazem parte da família linguística Jê. Os índios do povo Krahô participam do Encontro de Culturas desde 2006, sempre mostrando a sua tradicional corrida de toras.

Yawalapiti - Alto Xingu (MT)

Os indígenas do povo Yawalapiti pertencem à família linguística Aruak e vivem no sul do Parque Indígena do Xingu, região do Mato Grosso conhecida como Alto Xingu. Segundo dados da Funasa, em 2006 existiam 222 indígenas desta etnia. No XI Encontro de Culturas, eles construíram uma oca xinguana, típica de suas aldeias. Os Yawalapiti possuem como base de suas atividades a agricultura e da pesca. Este ano as etnias convidadas são os Guarani Mbya e os Avá-Canoeiro.