De 15 a 30 de julho de 2016
Vila de São Jorge · Chapada dos Veadeiros · Goiás

Encontro de Lideranças Negras

A realização do I Encontro de Lideranças Negras é para nós, em tempos de retrocessos imensuráveis ao povo negro, resistir. Para este ano, um dos temas importantes que pretendemos abordar é a história do negro na formação do Brasil e nas lutas afro-brasileiras.

A luta anti-racista é urgente. Estabelecer pontes entre os povos tradicionais e o povo negro dos grandes centros é um dos caminhos para a construção da realidade que queremos. O negro que poderia morrer de leishmaniose na roça – por não ter em casa sistema de esgoto ou ser consumido pelo trabalho quase escravo em fazendas de senhores brancos – é o mesmo que escolhe o êxodo rural e passa a viver nas periferias dos grandes centros. É o mesmo que integra o grupo de cinco jovens baleados 111 vezes pela polícia ou consumido pelo tráfico de drogas.

Por todos eles e tantos outros, o I Encontro de Lideranças Negras tem a função de celebrar a cultura e a luta do povo de cor, que ainda está longe de terminar. No I Encontro de Lideranças Negras, resistiremos com discussões e reflexões, fazendo valer todos os corpos negros vitimados pelo couro da chibata velha com roupagem moderna: o racismo.

Como os congados do povo preto, que se diferenciam por seus ternos de luta e resistência, resistiremos. Como o terno de Vilão, que representa a luta dos escravos pela libertação. Como o terno de Catupé, que representa os escravos fugidos. Como o terno de Moçambique, que com cantos de dor e lamento leva sua santa em procissão à igreja católica, que por tantos anos proibiu o rito religioso do povo preto. Como o terno de Penhacho, com suas penas na cabeça em lembrança aos índios que também sofreram com a escravidão e lutaram pela liberdade.

Tentam nos fazer acreditar que a carne mais barata é a negra. Mal sabem eles que é também a carne dos ancestrais teimosos, que nunca desaparecerão e lutarão até o fim. Para isto serve o I Encontro de Lideranças Negras: para celebrar “esse povo que ontem chorou no cativeiro e hoje encanta com seu Axé”.